Weg está otimista com leilões de transmissão e LER em dezembro

Empresa quer abocanhar fatia de 40% nos negócios de subestações dos lotes que serão concedidos pela Aneel no certame da sexta-feira, 28

Mauricio Godoi Negócios e Empresas
27/10/2016

A Weg está otimista e com boas perspectivas com o seu segmento de negócios em Geração, Transmissão e Distribuição, o que chama de ciclo longo. Esse posicionamento vem em decorrência dos leilões que serão organizados ainda este ano sendo o próximo nessa sexta-feira, 28 de outubro, para projetos de transmissão e cuja perspectiva de investimentos totais é de R$ 12 bilhões, segundo dados da Aneel. A expectativa da companhia é de conseguir manter a fatia de 35% a 40% dos negócios que serão gerados nesse certame dentro de seu nicho de mercado que é principalmente em subestações.

Essa área de negócio da empresa representou 29,6% da receita liquida da companhia no terceiro trimestre do ano uma queda de 0,7 ponto porcentual ante o resultado reportado no mesmo período de 2015. "Há uma boa expectativa para os leilões, a regulamentação está evoluindo e isso está claro. A perspectiva é de quem ganhar terá boas condições de investimento (...) e traz melhores expectativas para nós como fornecedores de equipamentos", comentou o gerente de Relações com Investidores da Weg, Luís Fernando de Oliveira em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados do terceiro trimestre.

"Quantificar isso antes do dia é complicado, mas claramente é um leilão grande e com perspectivas boas já que poderemos ter R$ 12 bilhões de investimentos nos projetos. Obviamente que não teremos isso, estamos em subestações que é nosso foco. Somos um dos líderes desse mercado e não há porque nossa participação ser diferente do que nosso market share que é de 35% a 40% do mercado, mas pode ser até um pouco melhor", acrescentou ele.

O setor eólico parece animar mais a empresa. Tanto que ainda na quarta-feira a empresa anunciou a aquisição do negócio eólico da Northern Power Systems.

Segundo o executivo, esse negócio proporcionará à companhia se tornar a proprietária da tecnologia tendo as patentes em seu portfólio, bem como a equipe de engenharia. A partir desse negócio, comentou, a Weg poderá definir os desdobramentos tecnológicos desses aerogeradores bem como seu redesenho. A meta, além de atuar no mercado nacional, é avançar sobre outros mercados.

A empresa destacou em seu release de resultados que "há algum tempo, os projetos de geração eólica tem sido o principal fator de dinamismo no segmento. Após um bem-sucedido esforço de lançamento de um novo produto, conseguimos construir uma carteira de pedidos de boa qualidade, o que tem nos permitido atravessar a forte retração do mercado brasileiro nos últimos dois anos, decorrente do cenário de excesso de oferta de energia elétrica no médio prazo". E ainda, "a perspectiva de médio prazo para o mercado brasileiro de T&D é positiva, pois é clara a necessidade de investimentos em interligação de projetos de geração prontos ou em conclusão. Contudo, o mercado brasileiro passa por um momento de transição para novas estruturas de controle e financiamento, o que posterga os compromissos de investimento."

A empresa reportou um resultado líquido de R$ 257 milhões no terceiro trimestre de 2016, queda de 3,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano os ganhos da fabricante brasileira somam R$ 794,4 milhões volume 2,9% maior ante o reportado ao final de setembro de 2015. A margem líquida no trimestre encerrado no mês passado ficou em 11,5% e na base anual soma 11,4% ante os 11% de 2015. O resultado Ebitda (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 338 milhões, queda de 14,4% quando se compara ao terceiro trimestre de 2015. No ano, o valor recuou 8,,1%, para pouco mais de R$ 1 bilhão.

A receita operacional líquida da Weg somou R$ 2,238 bilhões entre julho e setembro, queda de 12,1% no trimestre. No ano há quase uma estabilidade com R$ 6,9 bilhões, recuo de 0,5% ante 2015. O destaque nesse campo foi o mercado externo que apresentou crescimento de 5,1% enquanto o nacional caiu 7,4%, sendo o primeiro a maior fonte de vendas da companhia. Apesar disso, no segmento de energia da empresa, que engloba as atividades de GTD, o mercado nacional é maior que o externo respondendo por 18,5% da receita líquida, enquanto no exterior esse porcentual é de 11,1% do total reportado no trimestre. Os investimentos da Weg somaram R$ 243 milhões no acumulado do ano, excluindo os valores anunciados na quarta-feira, para compra do negócio de turbinas da Northern Power.