Weg afirma estar em outro patamar após contrato para refinaria na Ásia

Projeto de grande visibilidade faz multinacional catarinense perceber reconhecimento do mercado internacional e avaliar novas oportunidades para fornecimento de motores elétricos e inversores. Entrada no mercado de soluções digitais também entra em perspectiva

Da Agência CanalEnergia 
25/07/2019

O contrato da Weg para fornecimento exclusivo de motores e inversores elétricos de baixa e alta tensão para refinaria do Sultanato de Omã, na Ásia, elevou a multinacional catarinense a um novo patamar no mercado internacional, avaliou o Gerente de Relações com Investidores da empresa, André Salgueiro, durante teleconferência nesta quinta-feira, 25 de julho. Segundo ele, este é o primeiro grande contrato de exclusividade assinado pela fabricante na área. “Nossa marca era muito reconhecida no mercado global pela área de Óleo e Gás. Agora passamos a outro patamar, como fornecedor global de equipamentos que demandam alta tecnologia e confiabilidade”, comentou.

Segundo o executivo, devido ao projeto ser de grande visibilidade fora do Brasil, a parceria já permite à companhia avaliar novas oportunidades dentro do setor: “Já sentimos o lado comercial de alguns contatos que tínhamos no passado, com algumas portas se abrindo muito mais fácil que antes”, revelou Salgueiro, creditando esse sucesso ao planejamento estratégico empreendido desde quando equipes específicas foram criadas para atuar em cada frente da empresa.

O projeto, de titularidade da Joint Venture entre a Omã Oil e a Kuwait Petroleum, faz parte de um plano do Governo de Omã para o desenvolvimento industrial da Zona Econômica Especial de Duqm, com um investimento total de 15 bilhões de dólares nos próximos 15 anos. O contrato inédito da Weg é com o consórcio que faz a obra, formado pela empresa de engenharia espanhola Técnicas Reunidas e a coreana Saewoo Engineering and Construction. Segundo o gerente, uma parte do contrato será cumprida esse ano e a outra em 2020. “No final do segundo semestre poderemos sentir o impacto dessa venda”, afirmou.

A execução da obra prevê equipamentos de média tensão, com 12 variadores de frequência e mais de 120 motores elétricos, incluindo quatro grandes motores síncronos de 10.500 kW para os compressores recíprocos de H2, e equipamentos de baixa tensão, incluindo mais de 1.300 motores elétricos e aproximadamente 200 variadores de frequência.

Perguntado sobre porque a empresa não havia efetuado um negócio desse nível no passado, André respondeu que chegar a esse patamar é um processo longo, onde é preciso desenvolver a marca. “Cada vez fomos sendo mais reconhecidos pela qualidade dos nossos produtos e pelo testes que verificaram nossa capacidade de inovação”, explicou, destacando que além de Omã, há um importante contrato de eficiência energética com o maior grupo químico industrial francês, Arkema, que prevê a troca de motores antigos em todas unidades da empresa pela Europa.

Quanto a possibilidade de fornecer equipamentos para outros players globais do segmento, ele rechaça, afirmando que o mercado está estabelecido mundialmente, com milhares de fabricantes na China, por exemplo. “A empresa teria que sobrepor margem de revenda e isso não seria competitivo”, indica. “Para nós esses contatos são importantes para nossa consolidação nesse mercado, não no fornecimento”, pontua.

Sobre a estimativa para o tamanho desse mercado de motores elétricos, o executivo destaca que a multinacional possui mais de 25 clientes de fornecimento ao redor do mundo, em contratos praticamente exclusivos “Se pegarmos a evolução dos últimos três anos, esse número vem aumentando, mostrando que existem oportunidades para desenvolvimento em outras regiões”, ressaltou.

Weg Negócios Digitais

Outro assunto comentado na conferência foi a nova estrutura de softwares da companhia. A ideia é que no futuro a empresa não seja apenas reconhecida nas áreas de ÓIeo e Gás ou máquinas e equipamentos, mas também em produtos e soluções de automação para a indústria e o setor de energia.

Salgueiro cita como exemplo o sensor que realiza o monitoramento dos parques eólicos onde a  fornecedora foi requisitada, além de sistemas internos de gerenciamento na produção de suas fábricas, mostrando uma certa estruturação da companhia nesse sentido.

“O que acontecia antes é que essas iniciativas estavam um pouco dispersas na empresa. A solução foi empreender uma estratégia integrada para essa frente de soluções digitais aqui e fora do Brasil”, comenta, afirmando que a ideia num primeiro momento é focar em equipamentos eletroeletrônicos industriais primeiramente para o Brasil, e depois para o exterior.

Investimento Capex

O Diretor de Finanças e Relações com Investidores, Paulo Polezi, aproveitou a reunião para explicar que os investimentos CAPEX da companhia, aprovado em R$ 530 milhões, será destinado em escala de prioridade de 70% para a condução da nova fábrica de motores, geradores e painéis elétricos no México, e para a expansão da fábrica de motores na China e  construção de uma instalação para produção de inversores de frequência, também na China, mas em outro endereço. No Brasil, um dos destaques para os aportes é para a concepção de um novo modelo de aerogerador, chamado “4,X”, justamente por não se saber ainda a potência exata que o equipamento terá.

Polezi também destacou a observação de uma melhora nos preços das commodities metálicas, principal matéria-prima da fabricante, o que ajudou a melhorar a margem de lucro, além da taxa cambial, que este ano se mostrou mais acomodada que em 2018. “O segundo semestre tende a ser ainda mais favorável”, projeta.

Quanto a redução de endividamento, o executivo afirmou que a companhia tem trabalhado a mais de um ano na redução equivalente de caixa e dívidas, focando principalmente na antecipação de débitos de custo elevado, acima da CDI. “A maior parte desse trabalho já foi realizada”, completou.