Vianna: atualização tecnológica de Itaipu não vai impactar na produção da usina

Novo diretor-geral da hidrelétrica diz que o processo de modernização, orçado em US$ 500 milhões, será prioridade na sua gestão

Oldon Machado Negócios e Empresas
14/03/2017

O novo presidente de Itaipu Binacional já sabe para onde vai direcionar a maior parte da sua atenção tão logo desembarque na empresa. Nomeado nesta terça-feira (14) pelo presidente Michel Temer para a Direção-Geral da parte brasileira da hidrelétrica, o engenheiro Luiz Fernando Vianna quer manter, em 2017, os recordes de geração que vêm sendo alcançados pela usina – no ano passado foi superada pela primeira vez a marca de 100 milhões de MWh produzidos. A intenção, no entanto, é não mudar o ritmo do programa de modernização tecnológica iniciado este ano em 18 dos 20 grupos geradores da usina.

"O programa de atualização do maquinário de geração vai demandar grande esforço, mas que tem de ser feito o quanto antes. São equipamentos da década de 1980, já superados inclusive do ponto de vista do controle digital", explicou Vianna, em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia. Segundo ele, apenas uma máquina será parada por vez, casando o cronograma normal de manutenção geral dos grupos geradores com o processo de atualização tecnológica. O trabalho de modernização exigirá logística, já que os equipamentos, inclusive turbinas, serão desmontados e armazenados temporariamente.

Anunciado no final do ano passado, o programa de atualização tecnológica deverá demandar investimentos da ordem de US$ 500 milhões. O projeto, cujo prazo de conclusão é de 10 anos, será bancado com recursos próprios da usina, sendo transferidos ao consumidor somente a partir do ano de 2023, quando está previsto o encerramento do custeio do financiamento destinado ao empreendimento.

O novo presidente de Itaipu espera que 2017 mantenha os números superlativos de produção que a usina apresentou recentemente. A geração anual de 103 milhões de MWh registrada em 2016 – recorde na história da usina – pode, na visão dele, ser superada já este ano, a depender de fatores não gerenciáveis como o regime hidrológico do Rio Paraná. "Somos a maior geradora hidrelétrica do mundo em produção de energia, ultrapassando até a usina de maior capacidade instalada, que é Três Gargantas. É uma responsabilidade muito grande manter essa performance, mas confio em números ainda melhores daqui para frente", disse.

Copel - Após pouco mais de dois anos à frente de Copel Holding, comandando as áreas de Geração, Transmissão, Distribuição e Telecomunicações, o executivo apresenta números robustos, que atestam o crescimento do grupo paranaense nesse período. Hoje a maior empresa do Paraná e a 32ª do país em receita bruta (R$ 24,5 bilhões), a Copel se estabeleceu como uma das cinco maiores holdings do setor de energia elétrica do Brasil e uma das dez principais do setor de serviços. Os investimentos concentrados em geração e transmissão ampliaram a presença do grupo além das fronteiras do estado.

No Mato Grosso, a empresa prevê começar no início de 2018 a operação comercial da hidrelétrica Colíder (300 MW), do qual detém 100% do capital. Ainda na geração hídrica, a empresa terá uma participação de 30% na usina Baixo Iguaçu (350 MW), em construção até o segundo semestre de 2018 e na qual divide sociedade com o grupo Neoenergia. No campo da energia renovável, a holding paranaense comanda atualmente a construção de 28 parques eólicos no estado do Rio Grande do Norte com investimentos de aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Serão mais 658 MW de capacidade instalada com esses parques.

Ele destaca ainda a criação, em 2017, da Copel Comercializadora, cujo portfólio de contratação no mercado livre já inclui 58 MWmédios assegurados em 2017 e uma carteira totalizando 180 MWmédios para os próximos cinco anos. Vianna diz que a Copel "está olhando" o próximo leilão de linhas de transmissão marcado para ocorrer no próximo mês de abril, e que terá no Paraná boa parte dos empreendimentos postos em negociação. "Fico satisfeito em ter contribuído, nesses dois anos, para o crescimento da empresa onde comecei minha carreira profissional", avalia o executivo, em tom de despedida.