Venda da Cepisa mostra que privatização é positiva, diz Ferreira Júnior

Para o presidente da Eletrobras o resultado do leilão pode ajudar a acelerar aprovação do PL 10.332 no Senado que é fundamental para a venda das demais distribuidoras

Da Agência CanalEnergia 
26/07/2018

O resultado do leilão de venda da Cepisa, realizado nesta quinta-feira, 26 de julho pode reforçar no Senado a mensagem de que esse caminho é positivo para o Brasil. Essa é a avaliação do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, em entrevista concedida após o leilão da primeira das seis distribuidoras que a holding quer vender.

Ele avalia que a sistemática do leilão mostrou que a medida é melhor para todos, pois as empresas interessadas entram na disputa com o maior lance que se dispõem a pagar pelo ativo, rechaçando assim a crítica de que houve apenas uma proposta pela Cepisa, assim como ocorreu com a Celg-D comprada pela Enel, ainda em 2016.

Em sua análise foram vários os aspectos favoráveis. A saída da Eletrobras dessa distribuidora, a capitalização da empresa vendida em R$ 720 milhões e que estava em dificuldade financeira, a União receberá um reforço em seu caixa e as tarifas serão reduzidas em 8,52% conforme o lance da Equatorial. Ele voltou a lembrar ainda que se não houver a venda das empresas estas serão liquidadas, pois a estatal já se manifestou contra a continuidade dessa atividade. E que isso levaria ao pior cenário que é a demissão de todas as pessoas.

“Só tivemos vantagem com esse processo. Hoje nós vimos isso aqui com o lance pela Cepisa, quando vendemos a Celg o ágio também foi expressivo”, lembrou ele. “O leilão é bom e acho que o resultado de hoje pode ajudar na hora que o Senado for avaliar o PL 10.332 que está em regime de urgência no Congresso Nacional”, disse ele que aponta a data de aporte de garantias – 5 dias antes do leilão – como o limite para a aprovação do PL, ou seja, até 24 de agosto. Ele se disse otimista em relação ao leilão das demais empresas em função de ser a mesma sistemática de venda. Segundo ele, as empresas são mais complexas, mas sendo assim todas apresentam um importante potencial de redução de perdas e de crescimento em decorrência dos investimentos que precisam ser feitos.

A Eletrobras terá uma assembleia de acionistas no dia 30 de julho que avaliará a proposta de autorização de prorrogar a operação dessas designadas por mais 150 dias como forma de dar mais tempo para a privatização das companhias sem deixar essas áreas desassistidas. Mas, esse aval deverá ser dado apenas com a recomendação de que a empresa receba o valor referente às perdas que teve com as distribuidoras no período que esteve à frente desses ativos como designada. A empresa ainda calcula o valor das perdas apuradas com a prestação de serviços na Cepisa desde que assumiu a concessionária na figura de designada, não mais decorrente do contrato  de concessão.

Além da venda das distribuidoras, a perspectiva é de que a Eletrobras consiga negociar ainda as 70 SPEs de transmissão e geração eólica que pretende se desfazer para reduzir sua alavancagem. A estimativa do executivo é de que o leilão possa ocorrer em setembro, cerca de 15 dias após a venda das demais distribuidoras. Segundo ele, o processo está em uma fase final no Tribunal  de Contas da União, esperando apenas as considerações do tribunal acerca dessa alienação de ativos.