Renova espera concluir negociação com AES Tietê para finalizar Alto Sertão III

Empresa também conta com liberação de linha de financiamento de longo prazo do BNDES para mudar perfil do endividamento

Oldon Machado Investimentos e Finanças
23/03/2017

A Renova Energia espera concluir a negociação de venda do Complexo Eólico Alto Sertão II (386 MW - BA) junto a AES Tietê para finalizar a construção do seu principal projeto atualmente em carteira, o Complexo Alto Sertão III. Em teleconferência realizada com analistas do mercado financeiro nesta quinta-feira, 23 de março, o diretor-executivo da área Financeira, Cristiano Barros, explicou que o projeto de 400 MW de capacidade acabou sendo afetado, ao longo do ano passado, por problemas de liquidez da companhia. "A empresa não dispôs de recursos necessários para concluir a obra, que já está bastante avançada", disse.

O executivo informou também que, após o aceite da proposta de compra apresentada pela AES Tietê – divulgada ao mercado no início deste ano –, as partes trabalham neste momento na concepção do contrato de compra e venda de ações, o que segundo ele "está ocorrendo dentro da normalidade, mas ainda sem prazo para ser firmado". A operação deverá render aproximadamente R$ 650 milhões à Renova e promete melhorar o complicado quadro financeiro da companhia, que fechou o exercício de 2016 com dívida líquida de R$ 2,7 bilhões - 97% desse montante concentrados no curto prazo. Além da venda do ativo, a entrada de uma linha de financiamento de longo prazo junto ao BNDES, destinado às obras de Alto Sertão III, deve mudar o perfil da dívida da empresa. O objetivo é concentrar 88% dos pagamentos no cenário de longo prazo. O prejuízo líquido acumulado de R$ 1,1 bilhão no ano passado dá a medida das dificuldades enfrentadas pela companhia. A Renova se viu obrigada a executar um forte plano de reestruturação financeira e operacional, acarretando em cancelamento de contratos (PPA de 676 MW com a Cemig), postergação do contrato Light II para 2020 e na desmobilização de mais de 200 funcionários.

"O ano de 2016 foi, sem dúvida, um ano muito difícil, de muito sacrifício para a companhia, mas também representou um momento de virada, no qual implementamos ajustes dentro de um novo modelo de negócio", pontuou Barros. Entre os ganhos auferidos no ano passado, a empresa destaca a operação de descontratação, por meio do Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits, de 203,8 MWmédios em PPAs firmados no Leilão de Energia Nova de 2011. A operação permitiu à Renova firmar contratos no mercado de curto prazo a preços, em média, 21% mais altos que os contratos anteriores no mercado regulado.1