Presidente da Chesf fala em concluir obras atrasadas e modernizar hidrelétricas em 2019

Companhia trabalha para concluir 42 concessões até 2020, com R$ 510 milhões para projetos de transmissão, além do desenvolvimento tecnológico para modernizar gestão de operação e ativos. Investimento total no ano chegará a R$ 849 milhões

Da Agência CanalEnergia 
16/04/2019

Com seu fluxo de caixa reequilibrado, a Chesf planeja aplicar cerca de R$ 849 milhões no sistema elétrico de sua área de concessão e na própria empresa, que no ano passado completou 70 anos de existência. O foco para este ano é avançar com as 42 obras em atraso e empreender a modernização tecnológica dos sistemas de gerenciamento e controle dos ativos e operações. O presidente da companhia, Fábio Lopes Alves, falou exclusivamente à Agência CanalEnergia sobre os principais projetos e investimentos previstos para 2019, onde R$ 510 milhões serão direcionados para a área de transmissão, enquanto que a geração irá angariar R$ 162 milhões, valor pouco menor do que os investimentos em melhorias na rede, como a substituição de equipamentos, que irão contar com cerca de R$ 177 milhões em recursos.

“Até 2020 queremos concluir todas obras atrasadas com relação aos contratos de concessão”, afirmou o presidente, explicando que parte do descompasso passa pela transformação das usinas no regime de cotas, que causou um desequilíbrio entre receita e despesa, saindo de quase R$ 4 bilhões num ano para pouco mais de R$ 2 bilhões noutro. A concessionária tem se esforçado nos últimos anos para reaver esses projetos referentes aos leilões de transmissão, e que também envolvem fatores ligados à órgãos e licenciamentos ambientais. Para se ter uma ideia, se em 2016 a companhia estava com 110 contratos de obras atrasadas, este volume foi reduzido hoje para 42.

“Estamos fazendo um esforço muito grande pois essas questões penalizam muito a empresa, não só do ponto de vista financeiro, mas da própria responsabilidade com a concessão”, comentou Alves, assegurando que no mínimo 25 empreendimentos serão finalizados neste ano para conclusão do restante em 2020.

Já na parte de geração, o direcionamento estratégico aponta para modernização nos controles de geração, supervisão, medição e teleassistência das 12 hidrelétricas. Além do aporte para este ano, estão previstos investimentos graduais de R$ 650 milhões em 2020 e R$ 1,9 bilhão em 2021 para atualização do parque gerador. “Paulo Afonso tem quase 70 anos, e apesar dos investimentos na atualização das máquinas, é preciso um projeto de modernização tecnológica”, apontou o executivo, contando que haverá uma receita prévia de R$ 600 milhões da Aneel para os projetos.

Como a Chesf está proibida pelo órgão regulador e pelo Ministério de participar de leilões até 2021, a companhia não terá nenhuma nova usina até esta data, a não ser pela conclusão do Parque Eólico Casa Nova 1, na Bahia. O projeto, cujo imbróglio com a falida empresa Impsa foi resolvido, foi desmembrado em sete parques, e está sendo reativado o primeiro, CN 1-A, com 18 aerogeradores entrando em operação até setembro, num total de 27 MW e investimento de R$ 33 milhões, como informa o presidente. Já o parque CN 1-B tem previsão para 2020. Ao todo, o complexo irá gerar 180 MW através de 120 unidades geradoras de 1,5 MW cada.

Apesar de tecnicamente ainda não poder voltar aos certames, a concessionária trabalha com uma carteira de projetos eólicos e solares para futuros empreendimentos na área. “Aparecendo uma possibilidade vantajosa iremos avaliar, somos uma geradora presente no mercado”, disse Alves, que aponta outra frente forte de investimento para o período: o desenvolvimento tecnológico através da área de P&D, com a efetivação de novas tecnologias para exploração de potenciais de inserção das fontes renováveis, como eficiência das placas, impacto de sombreamento da fauna, entre outros pontos.

Um setor que também receberá recursos consideráveis em 2019 é o de manutenção, melhorias e reforço na rede elétrica, que contará com a consolidação de aproximadamente R$ 200 milhões para atender essas demandas, previstas no programa de cumprimento obrigatório da Aneel para equipamentos antigos e com crescimento em número de falhas.

Para o executivo, a principal diferença entre dos aportes neste ano é no redirecionamento para modernização das UHEs, promovendo comandos à distância e a digitalização dos processos. “Conseguimos superar o déficit da carteira e nossa expectativa é melhorar cada vez mais nos próximos anos”. Sobre as quatro concessões extintas recentemente pelo MME, ele explicou que o motivo se deu por questões ambientais, haja visto que o traçado das linhas de transmissão e seus desvios passavam por áreas de mata atlântica, cavernas ou até zoneamentos urbanos, como no caso da obra que deveria passar pela capital baiana, Salvador.

“Os [projetos] que foram feitos 10 anos atrás não apresentavam esse impedimento visível. Quando se começou o traçado é que foi aparecendo a vegetação. O de Salvador era inviável até por questões sociais”, consentiu o presidente, que na época pediu para que a Agência reguladora decidisse pela rescisão dos contratos, e não pelo instrumento da caducidade, deliberação tomada pelo órgão e que está sendo contestada pela empresa junto ao MME, através de um recurso administrativo.

Quanto a possíveis novos planos de desinvestimentos, Fábio Alves afirma que ações nessa esfera já foram empreendidas com a venda das SPEs da Eletrobras e com a dívida sendo diminuída entre 2016 e 2017, transferindo as ações para a própria holding privatiza-las e quitar a dívida. Hoje o foco de gestão e atuação da concessionária é um esforço contínuo de cerca de três anos para tornar-se mais eficiente em seus processos operacionais, reduzindo custos e equilibrando as finanças. Houve o desligamento voluntário de mais de mil colaboradores em 2018 e o plano para este ano é encerrar outra iniciativa deste tipo, mas com um número bem reduzido, o que é normal para um processo gradativo como esse.

Perguntado sobre a questão das barragens, Fábio afirma que a empresa está totalmente em dia com as diretrizes de segurança relativas a essas estruturas. “Quanto a Xingó estamos fazendo uma reciclagem, mudando estacionamentos próximos de áreas inundáveis, inclusive com um programa em parceria com a defesa civil local, até para dar mais tranquilidade às populações”. O mesmo está sendo feito atualmente na usina Paulo Afonso, com práticas de simulação, reciclagem dos planos emergenciais e demais ações nesse sentido. “Estamos mais rigorosos com questões de segurança. Não é porque se tem baixo risco de acidente que não tem que ser rigoroso”, avaliou.

Para acelerar e efetivar esse processo de modernização de sua gestão, a Chesf também está implantando a chamada ECO SAP, uma plataforma integrada com todas subsidiárias do Grupo Eletrobras. A base de dados pode controlar todos processos da companhia, inclusive com a parte de recursos humanos, tecnologia da informação e acesso digital, além da gestão de ativos e O&M, o que trará ganhos inevitáveis para eficiência empresarial. “Um salto de modernidade muito grande, com acesso rápido a informações e dados integrado. Não adianta ganhar leilão sem estar eficiente, aí você terá prejuízo”.