Presidente da Abradee critica pressões e considera temerário leilão de reserva

Nelson Leite afirma que um certame esse ano não pode ser feito sem um estudo técnico que confirme sua necessidade

Sueli Montenegro Da Agência CanalEnergia
26/06/2017

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Nelson Leite, criticou em conversa com jornalistas qualquer tentativa de pressão sobre o Ministério de Minas e Energia para a realização de um leilão de energia de reserva em 2017. “Nós achamos que fazer um leilão de reserva sem que haja a constatação da necessidade de energia por parte de EPE (Empresa de Pesquisa Energética)  é temerário e significa jogar mais custos para o consumidor brasileiro, para pagar uma energia que não é  necessária”, destacou o executivo, após divulgação da pesquisa anual  da Abradee de satisfação do consumidor.

A possibilidade de que um certame para a contratação desse tipo de energia venha  a ser feito no segundo semestre desse ano não é confirmada nem descartada pelo ministro Fernando Coelho Filho, mas não há consenso no MME em relação a isso.  Para  o dirigente da Abradee, um leilão de reserva deveria ser precedido de estudo técnico  da EPE para constatar a real necessidade de contratar reserva para o sistema. “Reconhecemos a importância da cadeia produtiva, mas não podemos transferir para o consumidor de energia elétrica o ônus de manter essa cadeia sem necessidade.”

No ano passado, o governo cancelou o segundo leilão de energia de reserva de 2016,  dias antes do certame, que seria realizado em 19 de dezembro. A decisão foi anunciada no dia 14 pelo secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética. Segundo Pedrosa, a decisão foi consequência da revisão das previsões de demanda futura de energia no Brasil pela EPE. O certame era destinado à contratação de energia de empreendimentos eólicos e solar fotovoltaicos  com entrega a partir de 2019. Na época, Pedrosa explicou que a previsão é de que haveria sobra de energia da ordem de 9 mil MW médios para 2020.  A decisão pegou de surpresa e desagradou investidores nas duas fontes.