Preço da energia incentivada sobe e diminui liquidez no ACL

Em três meses, preço subiu R$ 50/MWh enquanto tarifa cativa reduziu em algumas regiões, diz comercializadora

Wagner Freire Mercado Livre
01/08/2016

O preço da energia incentivada subiu nos últimos três meses e, por consequência, reduziu a liquidez desse produto no mercado livre. Segundo Sérgio Lopes, diretor de Gestão de Energia da Deal Comercializadora, houve momentos em que o preço subiu cerca de R$ 50/MWh em comparação com os R$ 160/MWh praticados antes do aumento da migração de novos consumidores especiais. Ele explica que, com a redução de tarifa de algumas distribuidoras do país e com o aumento do custo da energia incentivada causado pela alta demanda, os consumidores precisam avaliar a oportunidade com cuidado para conseguir capturar os benefícios do mercado livre. "É muito importante fazer esse comparativo do cativo versus livre para ver se ainda continua sendo vantajoso. Com o aumento do preço da energia incentivada e a queda na tarifa em algumas distribuidoras, o cliente precisa ver com bastante cuidado essa migração para o ACL", disse Lopes, que acaba de ingressar no quadro societário da Deal.   O "boom" de migrações se iniciou no ano passado. Com o “realismo tarifário”, expressão utilizada pelo governo para justificar o aumento de 50% na tarifa cativa em 2015, muitos consumidores viram no mercado livre uma oportunidade de redução de custos com energia elétrica. Para se ter uma ideia, no primeiro semestre deste ano, 1.151 novas unidades migraram para o ACL, segundo dados divulgados no início de julho pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.   Atuando há seis ano no mercado, a Deal Comercializadora acaba de estruturar seu departamento de gestão de energia com a finalidade de ampliar a sua atuação no setor. Além de trading de energia, a comercializadora agora passa a prestar serviços de assessoria para migração e gestão de consumidores no mercado livre, representação e gestão de usinas, inteligência de mercado e adequação do sistema de medição. "Nosso planejamento está muito mais voltado para o crescimento na prestação de serviço", afirma Lopes, que já trabalhou na AES Tietê e tem experiência nas áreas de distribuição, comercialização e geração de energia.   Atualmente, a Deal opera cerca de 500 MW médios mensais em contratos de curto, médio e longo prazo. “Pensamos na área de gestão de energia para atender uma antiga solicitação dos nossos clientes e a repercussão foi imediata com o fechamento de novos contratos para a empresa. O importante é que na tomada de decisão dos nossos clientes, possamos garantir um diferencial competitivo, aliando os nossos conhecimentos e experiências. Os nossos clientes poderão contar com um atendimento altamente profissional de acordo com as suas necessidades”, diz o diretor comercial e sócio Rodrigo Cosac Nacacio.   De acordo com a regulação do mercado, o consumidor especial - aquele com demanda entre 500 kW e 3MW - deve adquirir energia somente de fontes primárias incentivadas (usinas eólicas, solares, biomassa ou pequenas centrais hidrelétricas). Hoje, estas empresas representam mais de 40% do total de agentes da CCEE.