Petrobras pede revisão do modelo de remuneração de térmicas no Brasil

Empresa reclama que parque térmico não é remunerado adequadamente considerando sua importância para o setor elétrico

Wagner Freire Negócios e Empresas
26/09/2016

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, não está satisfeito com o modelo atual de remuneração das térmicas no Brasil e sinalizou que buscará junto ao governo um novo modelo que estimule a continuidade desse negócio país. O executivo esteve em São Paulo nesta segunda-feira, 26 de setembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, para apresentar a empresários o Plano Estratégico de Negócios e Gestão da companhia para o horizonte 2017-2021.

"Temos um conjunto de térmicas que foram despachadas por muito tempo durante a escassez de água e agora que o momento passou essas usinas não são mais despachadas. Portanto, a gente não tem receita dessas usinas. Elas foram importantes durante algum tempo para dar segurança ao sistema como um todo, e o que se passa hoje é que a disponibilidade dessas usinas não é remunerada. Então, o que estamos basicamente dizendo é que precisamos, de fato, lidar com esse assunto com as autoridades do governo, para ver como é possível encaminhar essa situação de tal sorte que as empresas como a Petrobras, que tem um parque de geração que é muito relevante sob o ponto de vista da segurança do suprimento de energia elétrica, continuem se sentindo estimuladas a manter esse quadro", respondeu Parente.

Questionado sobre a intenção da empresa de vender o Parque Eólico Mangue Seco, no Rio Grande do Norte, Parente apenas afirmou que a Petrobras irá focar nos negócios de óleo e gás. "Vamos nos concentrar nos primeiros anos na área de óleo e gás. Essa é a diretriz geral", limitou-se. Hoje a petroleira é o sexto maior produtor de energia elétrica do Brasil, com capacidade instalada de 6.239 MW, atrás de Itaipu (7.000 MW, lado Brasil), Engie (7.323 MW), Eletronorte (9.922 MW), Furnas (9.411 MW) e Chesf (10.613 MW).

Na mesma reunião, o diretor executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, disse que a Petrobras vai "reestruturar o negócio de energia", colocando todos os ativos debaixo de uma mesma empresa, "buscando maximizar o valor desse negócio". "Reestruturação do negócio de energia é algo que a gente vai fazer. Colocando todos os ativos de energia debaixo de uma mesma empresa e buscando maximizar o valor desse negócio", disse.