Petrobras defende mudanças nos leilões de energia

Empresa está preocupada com o futuro do parque termelétrico; setor é considerado estratégico para puxar a expansão do mercado de gás natural no país

Da Agência CanalEnergia 
04/04/2019

A Petrobras vê na geração termelétrica oportunidade de comercializar sua produção de gás natural e investir em geração de eletricidade, disse Álvaro Ferreira Tupiassú, gerente geral de Planejamento e Marketing de Gás e Energia da Petrobras, em evento promovido pela GE Power em São Paulo, transmitido ao vivo pela internet nesta quinta-feira, 4 de abril.

O executivo pediu mudanças na regulação do setor elétrico, de forma a permitir que usinas existentes possam participar dos leilões de geração. A preocupação da empresa é com o futuro do parque termelétrico. Essas usinas são importantes para dar segurança ao sistema elétrico, permitindo a expansão das fontes com geração variável, como eólica e solar.

“O que nos preocupa um pouco hoje é que alguns desses contratos que as termelétricas têm estão chegando próximo ao seu final. É preciso tomar alguma medida para que elas possam, se for desejo do consumidor, estar disponíveis para o sistema ou, se for o caso, serem substituídas por novas usinas”, alertou Tupiassú.

No pico, o mercado de gás natural no Brasil consome 95 milhões de metros cúbicos, dos quais aproximadamente 40% são para as termelétricas. O market share da Petrobras no fornecimento desse insumo chega a 80%.

“A Petrobras enxerga a necessidade e oportunidade de otimizar o portfólio que já tem e abraçar novas oportunidades. Mas ao mesmo tempo, percebe a necessidade de que haja uma reformulação da regulação. Defendemos, por exemplo, que os leilões de energia não deveriam diferenciar energia nova de velha”, disse o executivo.

A Petrobras é uma das maiores geradoras de energia elétrica do país, com 6.000 MW em operação, a maior parte de termelétricas. “Se não renovar os contratos das térmicas que existem, vai ter que colocar uma nova no lugar. Para avaliar o mérito dessa decisão, é preciso que as fontes concorram no mesmo certame”, completou Tupiassú, lembrando que isso exigiria uma mudança na lei. “Mas é possível implementar um modelo parecido com esse de maneira infralegal, se quiser.”

Na visão do executivo, as termelétricas vão permanecer necessárias por muito tempo no Brasil e no mundo. Ele também defendeu a abertura de todos os elos do mercado de gás natural, incentivando a ampliação dos gasodutos, para que as térmicas não sejam obrigadas a consumir apenas em um ponto específico.