Paraguai estima consumir toda a energia de usinas binacionais até 2030

Brasil precisa se preparar para contratar novas fontes de geração para substituir energia de Itaipu

Wagner Freire  Da Agência CanalEnergia
22/11/2017

De Foz Iguaçu (PR)*

O Brasil precisa se preparar para contratar novas fontes de geração para substituir a energia que hoje o Paraguai vende para o nosso país por não consumir em sua totalidade a parcela que lhe cabe em Itaipu. A hidrelétrica possuí 20 turbinas de 700 MW, porém o Paraguai consome o equivalente a três máquinas (27%). Segundo Víctor Raúl Romero Solís, membro do Conselho de Administração de Itaipu e presidente da Administración Nacional de Electricidad (ANDE), até 2030, o Paraguai deverá consumir toda a energia que lhe cabe nas duas usinas binacionais que possuí com o Brasil e com a Argentina.

“A demanda de energia elétrica do Paraguai apresentará um crescimento médio anual entre 9% e 10%. Hoje em dia estamos com um consumo anual de aproximadamente 15 mil MWh/ano. Considerando esse crescimento, estimamos que até 2030 o Paraguai vai estar consumindo toda a energia que o corresponde nas binacionais, não só Itaipu, mas também Yacyretá”, disse o executivo paraguaio em visita ao Brasil nesta quarta-feira, 22 de novembro, para comemoração da marca de 2,5 bilhões de MWh produzidos por Itaipu desde que a usina entrou em operação em maio de 1984. A marca histórica foi alcançada exatamente a 00:24 (horário de Brasília) da última terça-feira, 21 de novembro.

Solís contou que o Paraguai trabalha para explorar novas fontes de geração, como pequenas centrais hidrelétricas, solar e eólica. “O Paraguai está tendo um crescimento industrial importante, que se reflete no consumo de energia elétrica. O Paraguai está realizando investimentos em infraestrutura de energia elétrica para possibilitar a instalação de mais indústrias”, disse.

TRATADO DE ITAIPU

Em 2023, Brasil e Paraguai precisam revisar as condições comerciais da hidrelétrica de Itaipu. A distribuição da energia, a formação de tarifa e a distribuição dos royalties estão entre os pontos em discussão. Questionado se o processo de privatização da Eletrobras preocupava os paraguaios, Solís disse que as informações que têm recebido do governo brasileiro é que Itaipu não faria parte do processo por ser uma empresa binacional. “O processo de privatização da Eletrobras está mais orientado para as distribuidoras de energia.”

O diretor-geral paraguaio de Itaipu, James Spalding, acredita que uma negociação mais formal sobre a revisão do Anexo C do Tratado só acontecerá em 2019, após as eleições presidenciais dos dois países em 2018. “Há um comum acordo entre os dois países que essa negociação deveria iniciar antes de 2023, para entender exatamente como seria a distribuição da energia, dos royalties, da formação de tarifa, entre outros aspectos” disse o executivo, que também participou da cerimônia em Foz do Iguaçu. “Acreditamos que no próximo período de governo estaremos iniciando um trabalho mais formal”, completou.

Em entrevista a jornalistas na última terça-feira, 21 de novembro, o diretor-geral brasileiro de Itaipu Luiz Fernando Vianna, disse que a revisão do tratado já pode ficar bem encaminhada em 2018.

*O repórter viajou a convite de Itaipu