Parada para manutenção em plataforma e usinas da Petrobras era planejada

Estatal já havia discutido assunto com ONS. Carga baixa e alta produção eólica no período seco afastam riscos

Da Agência CanalEnergia 
26/07/2018

A parada de 45 dias para manutenção na plataforma de Mexilhão, que vai ter como consequência a interrupção do acionamento de térmicas da Petrobras, já estava prevista. A Agência Nacional de Energia chegou a oficiar o Operador Nacional do Sistema Elétrico quanto a parada dessas usinas, uma vez que ela será realizada em pleno período seco. Em comunicado, a estatal revelou que discutiu esse cronograma com o ONS de forma que o seu impacto fosse mitigado.

De acordo com a empresa, a parada era uma exigência legal para inspeção dos vasos de pressão das instalações industriais. O diretor geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, confirmou a versão da Petrobras e lembrou que desde 2016 ela já vinha estudando como seria essa fase. A manutenção das térmicas teve que ser contratada para o mesmo período da plataforma, de modo a não haver descasamento. O diretor do ONS admitiu que o mês de julho está muito seco, mas ponderou que é uma época em que a carga está mais baixa e que é quando as eólicas estão produzindo mais, o que afastaria qualquer tipo de problema do ponto de vista operativo. “Juntando tudo isso a decisão que foi tomada é tecnicamente correta paralisar agora a plataforma de Mexilhão”, disse Barata, que participou do Seminário Internacional de Energia Nuclear 2018, nesta quinta-feira, 26 de julho, no Rio de Janeiro (RJ).

O diretor do ONS também explicou que uma postergação da manutenção iria coincidir com o período das eleições e que um adiantamento, com a Copa do Mundo. “Lidar com todas essas variáveis requer paciência e risco envolvido”, observa. Ele alertou sobre a importância da paralisação para manutenção, para que no futuro não aconteça nenhum tipo de problema mais grave na operação das térmicas. Ainda segundo Barata, a Aneel já havia sido informada sobre isso nas reuniões do PMO e que haverá o devido esclarecimento.

A paralisação para manutenção chegou até o Ministério de Minas e Energia. Antes do leilão da Cepisa, o ministro Moreira Franco avaliou que o momento de interrupção das usinas era inoportuno, mas que amanhã terá uma reunião com Ivan Monteiro, presidente da Petrobras, com o assunto em pauta. “Vou solicitar a ele para ver se tecnicamente se busca um momento mais adequado para se fazer essa manutenção”, prometeu.