Para Engie, mercado vive situação contraditória

Excesso de oferta não se traduziu em queda no preço, diz executivo da empresa

Pedro Aurélio Teixeira Negócios e Empresas
29/07/2016

O mercado de energia no país vive um momento contraditório, de acordo com o presidente da Engie Brasil, Eduardo Satamini. O executivo, que participou de teleconferência com investidores nesta sexta-feira, 29 de julho, disse que há uma oferta de energia em excesso, mas ela não se traduziu em queda no preço, que acabou subindo. Grande parte do excesso da oferta está em poder das distribuidoras, o que teria impedido a redução. Ainda segundo ele, a procura pelo mercado livre tem crescido, devido à alta nas tarifas do mercado cativo. Ele acredita que no médio e longo prazo haverá uma maior volatilidade de preços. "É uma situação sui generis. Não existe liquidez. O excesso de oferta está aprisionado na sobrecontratação das distribuidoras", explica.

Para o executivo, o setor está voltando a uma certa "normalidade" mas temas como inadimplência, GSF e sobrecontratação ainda persistem. Ele vê boa vontade nas ações do governo e dos agentes para mitigar esses problemas. A onda de venda de ativos que está se desenhando no setor está no radar da empresa, mas pela postura conservadora que o executivo admite que ela tem, eventuais compras serão muito bem avaliadas. "Atuamos com interesse, mas com cautela", avisou. Satamini também não acredita na real necessidade de um leilão A-3, que o governo sinalizou que poderá ocorrer no segundo semestre. Para ele, pode ser que haja uma demanda específica de alguma distribuidora, o que poderia fazer com que o leilão se realizasse.

Os projetos em construção da empresa no país continuam. A UHE Jirau (RO 3.750 MW), no rio Madeira, na qual a holding possui 40% do controle, está com 3.150 MW em operação comercial, com 42 unidades instaladas, com duas unidades em fase final de montagem que somam 150 MW. A Engie promete a conclusão da hidrelétrica para o segundo semestre deste ano. Já a UTE Pampa Sul (RS - 340 MW), comercializada no leilão A-5 de 2014 e movida a carvão, começa a tomar forma. Com investimento de R$ 1,8 bilhão, ela deve começar a operar no segundo semestre de 2018. "Ela começa a mostrar sinais de evolução, as fundações se preparam para receber as primeiras peças de montagem", avisa.

Nas fontes renováveis, a primeira fase do complexo eólico Campo Largo (BA - 178,2 MW), começou a ser construído este ano e deve ficar pronto em 2018. Já o complexo eólico Santa Mônica (BA), de 97,2 MW, deve entrar em operação este ano. Há ainda na fonte solar a UFV Assú V (RN - 36,7 MWp), que deve iniciar a sua construção em 2017 para começar a operar em 2018. A Engie tem ainda projetos  prontos em desenvolvimentos, como mais um fase do complexo solar no Rio Grande do Norte, outra fase das eólicas Campo Largo, mais um complexo solar na Bahia e um eólico no Rio Grande do Norte. A Engie Geração Solar Distribuída S. A. será a entrada do grupo no segmento de geração distribuída fotovoltaica.