Modernização de Jupiá e Ilha Solteira entra na 2ª fase

Quatro primeiras unidades passaram por reforma em um processo emergencial, apresentavam um alto risco de parar a operação e a última deve voltar à geração até final de outubro

Da Agência CanalEnergia 
27/07/2018

Na próxima segunda-feira, 2 de agosto, começará uma das últimas etapas da primeira fase do processo de modernização do complexo Jupiá-Ilha Solteira: o transporte de uma turbina francis de 172 MW recuperada na fábrica da Andritz em Araraquara (SP) para a maior UHE que a CTG Brasil opera depois de Três Gargantas, na China. Serão cerca de 400 quilômetros via terrestre, uma viagem que deve durar cinco dias para que a peça única de grandes dimensões possa chegar à usina de Ilha Solteira, e assim, até o final de outubro, voltar à operação comercial. Antes, outras três unidades de geração já deverão ter retornado à condição operacional depois de uma reforma quase geral para que estejam em condições semelhantes à encontrada em novas usinas.

Essa primeira fase é apenas o início de um processo que deverá durar entre oito e 10 anos e consumir investimentos da ordem de R$ 3 bilhões, cuja meta é a de modernizar as 34 unidades das duas usinas em diferentes níveis de intervenção. O complexo possui quase 5 GW de capacidade instalada e operam há 49 e 45 anos, respectivamente. O contrato fechado com a Voith para as quatro primeiras unidades de geração foi de R$ 300 milhões e teve que ser adiantado ante o que a empresa esperava em função das condições em que se encontravam alguns dos equipamentos.

O diretor de O&M da empresa, César Teodoro, classificou como crítica a situação dessas quatro primeiras unidades, tanto que tiveram que antecipar as atividades de recuperação que já estavam previstas quando assumiram as centrais como a troca de todos os comandos que eram analógicos por digitais. “A gestão da manutenção da Cesp foi feita de acordo com a estratégia deles, que era a de não renovar as concessões segundo a MP 579. As usinas estavam operando, mas havia sim um alto grau de risco”, classificou.

A decisão foi tomada após uma série de quatro falhas em um dos geradores nos seis primeiros meses de operação da CTG Brasil. Essas falhas foram de menor porte e ocorreram três vezes quando em operação comercial e uma ainda quando realizavam testes de comissionamento para a retomada da máquina. Então, em uma análise emergencial identificaram as quatro unidades que mais precisavam de reformas – duas em cada usina – e fecharam o pacote em um processo licitatório que contou com a participação de grupos nacionais apenas, para agilizar o processo. Além da vencedora Voith, a GE-Alstom e Andritz participaram da disputa. Esta última foi posteriormente contratada por meio de um aditivo para recuperar a turbina francis em uma ação que não estava prevista anteriormente e que atrasou o processo em dois meses pela necessidade de recuperar as pás que sofreram com um tipo de erosão chamado de cavitação. O projeto em execução chegou à reta final e a perspectiva é de recolocar todas as quatro unidades em operação comercial até outubro, depois de 10 meses de trabalho, quase todo feito nas usinas.

A segunda fase já foi licitada e começará em setembro. Desta vez, engloba oito unidades de geração, investimentos de R$ 700 milhões e três frentes de atuação. A primeira é semelhante ao realizado atualmente, a segunda envolve todo um novo pacote de automação e centro de operação e, para encerrar, um pacote de troca de todos os transformadores de Ilha Solteira mais a compra de quatro reservas junto à WEG, dois adicionais para cada UHE. Faltam 17 desses equipamentos a serem entregues atualmente.

O primeiro pacote será executado por um consórcio internacional liderado pela GE em parceria com a Power China e Harbin. Envolve a recuperação e modernização de oito unidades de geração e seus equipamentos, bem como a parte eletromecânica dos vertedouros das usinas. O segundo ficou a cargo da Sepco1 que instalará na UHE Ilha Solteira o centro de operação de todas as usinas da CTG Brasil, em um espaço onde hoje existe apenas o centro de controle dessa usina. Inclusive, a geradora prevê a instalação de um outro centro de controle em Jupiá. Até hoje essa usina não possui um, sendo que o monitoramento das UGs é feito manualmente pelos funcionários em cada uma das unidades.

 A meta é de ter neste centro de operações condições de operar à distância todos os ativos em que atua como a operadora e naqueles em que possui participação, basicamente as UHEs São Manoel, Cachoeira Caldeirão e Santo Antônio do Jari, e parques eólicos da EDP, monitorar os equipamentos em operação.  O único entrave, explicou o diretor de Engenharia e Capex da CTG Brasil, Jorge Okawa é o regulatório. O de infraestrutura de comunicação utilizará o sistema Scada, que necessitará de pequenos ajustes nas usinas que eram da Duke.

“As condições desta segunda fase estavam mais favoráveis, pois tínhamos mais tempo para uma chamada internacional e estimular a competividade dos grupos que participaram, diferente da primeira que teve de ser adiantada em função da condição crítica em que as unidades escolhidas estavam”, explicou Teodoro. A CTG Brasil já mapeou e espera iniciar as atividades da terceira fase apenas em 2021, quando estiver próxima da finalização dessa segunda tranche.

Ao final desses 10 anos a CTG Brasil quer resolver um problema existente, a falta de padrão das máquinas, o que facilita a operação dos ativos. Assim, uma vantagem esperada é a de alcançar mais facilidade na hora da manutenção, maior previsibilidade e disponibilidade de componentes. Outro ponto de destaque é a alteração do escopo da manutenção de uma posição corretiva como era no passado para a preditiva e assim minimizar o tempo de paradas.

“Antes a manutenção atuava mais com correção de erros e menos planejamento, queremos inverter essa logica para mais planejamento e menos correções”, definiu Teodoro. Das 34 UGs das duas usinas o trabalho mais extenso deverá ser feito em 22, enquanto as outras já tiveram alguma ação da Cesp no passado. O objetivo com a modernização é obter mais eficiência operacional na produção de energia.

*O repórter viajou a convite da CTG Brasil