Inovação e energia no foco da Holanda

País quer ser a porta de entrada das empresas para a Europa e destaca seu posicionamento estratégico para atender a um mercado de mais de 500 milhões de consumidores

Da Agência CanalEnergia 
06/06/2018

Ao completar 40 anos de vida, a Agência de Investimento Estrangeiro da Holanda (NFIA, na sigla em inglês) busca atrair novas empresas para aquele país. O segmento de energia está entre os setores chave que o país procura. Apesar de não ser o maior dentre eles, o foco está para as empresas que atuam em geração de energia renovável ao passo que empresas de combustíveis fósseis estão cada vez com menor presença na matriz elétrica da Europa como um todo. Os principais destaques estão para agronegócios, setor químico, lifesciences e alta tecnologia/tecnologia da informação.

O Brasil representa cerca de dois terços do volume de investimentos da América Latina naquele país. Entre as vantagens que a NFIA aponta estão a proximidade com um mercado consumidor de cerca de 500 milhões de pessoas, fácil acesso logístico a quase toda a Europa por seus porto de Rotterdam e o aeroporto de Amsterdam, bem como a infraestrutura de comunicações existente por lá com 100% da internet por meio de fibra óptica.

Jeroen Nijland, diretor mundial da NFIA, destacou que o clima de negócio em seu país de origem vem sendo desenvolvido pelo novo governo. Uma das medidas mais importantes foi a redução da taxação sobre lucros advindos de atividades de pesquisa e desenvolvimento, o que vem aumentando a atratividade da Holanda em comparação a outros países. Segundo o executivo, o fato do país ter tradição no comércio internacional vem atraindo a atenção, ainda mais depois do Brexit, no Reino Unido, que tem atraído diversas empresas que estavam sediadas no território comandado por Londres, mas que querem manter-se em território da União Europeia.

De acordo com a NFIA, somente no ano passado, 357 empresas estrangeiras escolheram a Holanda para realizar suas principais operações, seja criando escritórios no país, trabalhando como centros de distribuição ou hubs de pesquisa e desenvolvimento. Os resultados deste investimento foram a geração de 12.686 empregos e contribuição com 1,67 bilhão de euros para a economia holandesa. A NFIA foi responsável pela maioria destes números com 8.158 empregos e 1,23 bilhão de euros.

Do segmento de energia, o foco de atuação da empresa está no desenvolvimento de fontes renováveis. Tanto para a geração por meio de parques eólicos offshore e redes inteligentes, incluindo nesse segmento a mobilidade elétrica, pois conta atualmente com a segunda maior frota do mundo de carros elétricos, atrás apenas da Noruega. Nijland lembrou ainda que em função das políticas do país e a afinidade da população com a consciência ambiental, o país vem se destacando nessas áreas. E que a meta é de se fortalecer em ações que incentivam  inovação em energia.

Segundo a agência, cuja meta é a de atrair empresas novas para lá, o governo holandês oferece uma variedade de incentivos competitivos para estimular a inovação energética e promover o uso corporativo de fontes de energia renováveis. Como resultado dessa política, a Holanda fortaleceu sua posição de liderança em P&D de energia renovável, particularmente na tecnologia de turbinas eólicas. E acrescenta que isto é reforçado por parcerias estratégicas público-privadas e instalações de classe mundial, como o Consórcio para Conhecimento e Inovação eólica Offshore (TKI Wind op Zee), o Centro de Pesquisa de Energia da Holanda (ECN) e a Universidade de Tecnologia de Delft— um dos maiores especialistas do mundo em energia sustentável.

Robert Meijering, diretor NFIA Brasil, comentou ainda que a tendência atual das empresas brasileiras investirem na Holanda apresenta um perfil de pequeno e médio porte. No segmento de energia não apontou uma direção específica, mas que a inovação em geração renovável pode ser um dos caminhos, até porque, os investimentos necessários para se abrir uma companhia por lá não são elevados. Além disso, o tempo para abrir uma empresa por lá não é extenso, dependendo da complexidade da atividade pode levar até um mês, mas normalmente em dois dias estaria tudo regularizado.

“Normalmente com cerca de oito mil euros uma empresa é aberta na Holanda já considerando todos os custos, inclusive com assessoria jurídica”, completou ele.