Impacto da energia de reserva no MRE pode ser reduzido, aponta CCEE

Brasil já contratou 4.000 MW médios de energia de reserva; com Angra 3, esse volume subirá para 5.500 mil MW médios

Da Agência CanalEnergia 
10/05/2019

Um dos grandes problemas no setor elétrico atende pela sigla MRE. Criado como um mecanismo contábil para reduzir o risco dos geradores hidrelétricos, o Mecanismo de Realocação de Energia passou a suportar diversos custos do setor alheios ao negócio das hidrelétricas. Neste momento, a cúpula do governo busca meios para expurgar alguns desses custos, entre eles o da energia de reserva.

“Depois de muita discussão com a Aneel e o Ministério de Minas e Energia, chegou-se a conclusão de que realmente a energia de reserva desloca ao MRE”, disse Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, onde recebeu aplausos da plateia pela declaração durante a 3º Conferência Nacional de PCHs e CGHs, em Curitiba.

Pelos cálculos da CCEE, a energia de reserva é responsável entre 4% e 5% do deslocamento do MRE. A ideia em gestação seria transformar a energia de reserva em lastro. “Nós da CCEE temos uma proposta para resolver essa questão, não pode ser resolvido de imediato, tem que ser resolvida em etapas”, disse o executivo.

A energia de reserva foi uma forma que o governo encontrou para fazer frente à frustração de produção das hidrelétricas. Foi desenhado para contratar fontes com energia firme, capaz de despachar em momentos de necessidades. No entanto, em determinado momento começou usar os leilões de reserva para incentivar as fontes renováveis, principalmente eólica e solar. Como não se controla o vento nem o sol, são despachadas com prioridade na matriz. Com a carga menor, esse despacho faz com que usinas hidrelétricas deixem de gerar, principalmente no Nordeste.

“O Proinfa também é uma energia semelhante à de reserva, mas não desloca o MRE porque está respaldada por contratos para todo mercado”, pontuou Altieri. “Nossa proposta é fazer um escalonamento. O segredo é discutir qual o valor, por exemplo, a cada ano 20% da energia viraria contrato para a distribuidora. Sabemos que isso reduz um pouco a capacidade de expansão da geração, mas achando um percentual que possa ser absorvido pelo sistema, em quatro ou cinco anos essa questão está resolvida”, disse.

A proposta, porém, não tem concordância entre a cúpula do setor elétrico. “Na verdade, isso ainda está muito incipiente, são vários modelos que estão sendo rodados para ver se alivia o MRE. A questão da energia de reserva é uma, do lastro da garantia física das usinas cotistas é outra. Todos esses cenários estão em avaliação. Porque a gente não acredita que só o modelo da energia de reserva vai dar solução para o problema”, disse o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Efrain Cruz, também presente no evento.

Para o vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da Electra Energy, Edvaldo Santana, foi um erro do governo contratar energia eólica como reserva. “Jamais faria um novo leilão de reserva, um equívoco do jeito que foi feito”, disse. De acordo com cálculos da PSR, o Brasil já contratou 4.000 MW médios de energia de reserva. Com entrada em operação da usina nuclear de Angra 3, prevista para 2026, esse número aumentará para aproximadamente 5.5000 MW médios.

*O repórter viajou a convite da Abrapch.