Grupo franco-belga se prepara para expandir negócios na América Latina

Leme Engenharia, agora Tractebel, negocia a compra de empresa brasileira de mobilidade urbana

Wagner Freire Negócios e Empresas
06/02/2017

O grupo franco-belga Engie se prepara para expandir seu negócio em infraestrutura na América Latina e por meio de sua subsdiária de engenharia consultiva, a Leme Engenharia, agora Tractebel, negocia a aquisição de uma empresa brasileira especializada em mobilidade urbana, portos, aeroportos, ferrovias e saneamento. O valor do negócio não foi revelado, mas trata-se de um investimento relevante para uma multinacional, garantiu Cláudio Maia, presidente da companhia.

Segundo o executivo, a empresa quer estar preparada para aproveitar as oportunidades que o Brasil irá apresentar a partir da retomada dos investimentos em infraestrutura. A expectativa é que a aquisição seja concluída ainda no primeiro semestre deste ano. “A nossa principal aposta para o país é o mercado de infraestrutura. Estamos em fase de negociação para a aquisição de uma empresa especializada em projetos de mobilidade urbana, portos e aeroportos”, disse.

“Temos que caminhar no sentido de aproveitar algo que parece ser consenso, que é a retomada do crescimento no Brasil através dos projetos de infraestrutura. A Leme tem uma experiência importante nessa área, mas que precisa ser complementada, em especial em mobilidade", completou. Desde 16 de janeiro, a empresa brasileira de engenharia consultiva Leme Engenharia passou a adotar o mesmo nome da sua controladora Tractebel, um dos principais players mundiais de engenharia consultiva, com sede na Bélgica. A mudança de nome faz parte de um projeto de unificação da marca Tractebel em todo o mundo.   "Existem oportunidades no nosso mercado na América Latina cada vez mais evidentes na área de infraesturura não energética, em especial, na mobilidade urbana, nos portos, aeroportos e também abastecimento e tratamento de água. Nesse sentido, a Tractebel vem buscando concretizar essa aquisição, se possível agora no começo de 2017, nessa área de infraestrutura não energética, voltada para esses temas", disse Maia. A aquisição é coordenada pela sede na Bélgica e a fase atual é de confecção do contrato. "Isso pode parecer bastante avançado, mas toma muito tempo ainda a partir desse ponto."

Com projetos em mais de 140 países, a Tractebel mantém cinco escritórios no Brasil (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro) e também no Chile, Panamá e Peru, onde desempenha atividades em projetos relacionados a energias renováveis, hidroenergia, geração térmica, gás, sistemas de transmissão, mobilidade urbana, edificações complexas, saneamento e meio ambiente. Em 2016, o Brasil representou 70% do faturamento de R$ 222 milhões. Para 2017, a expectativa é manter esse mesmo resultado, já que será difícil repor os contratos neste ano.

“Em 2016, de uma maneira geral, por ter sido fraco de vendas para todo mundo, fez com que a maioria das empresas entrasse no ano de 2017 consumindo o que tinha em contratos em estoque. Não se espera que seja possível vender muito no início de 2017 para repor esses contratos. Apensar de haver uma melhora macroeconômica, ela ainda é tênue e não indica que será possível reverter fantasticamente 2017.”

México - Outra estratégia de crescimento da Tractebel é por meio de instalação de novos escritórios internacionais. “Já em 2017, iniciamos nossas operações no México, onde somos responsáveis pela engenharia do proprietário para a construção do parque eólico Três Mesas, com capacidade de 52MW localizado na região de Tamaulipas no nordeste do país”, complementa Maia.   Nos últimos anos, a Tractebel foi responsável no Brasil pela supervisão e fiscalização técnica de obras de mobilidade urbana, saneamento básico na região norte do país, navegação, como a Hidrovia do Madeira, e projetos de edificações complexas.   No segmento de hidroenergia, a unidade brasileira acaba de finalizar o gerenciamento e supervisão das obras da hidrelétrica Jirau (3.750MW), inaugurada em dezembro de 2016 no Rio Madeira, em Rondônia e executa a coordenação dos programas ambientais da usina hidrelétrica de Belo Monte desde 2012, para a qual também elaborou os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) em 2006. Em relação a sistemas de transmissão, a Tractebel já desenvolveu projetos para mais de 25 mil km de linhas de transmissão e para mais de 80 subestações de extra-alta-tensão, no Brasil e exterior.   Com a proposta de contribuir para a transição da atual matriz energética, a Tractebel tem desenvolvido também projetos no Brasil e em outros países com o foco em energias alternativas e renováveis, incluindo descentralização energética e digitalização.