Fitch atribui rating à proposta de 1ª emissão de debêntures do Complexo Ventos do Araripe III

Valor é de R$ 160 milhões com vencimento em julho de 2032 e perspectiva estável

Da Agência CanalEnergia 
26/10/2017

 

A agência de classificação de risco Fitch Ratings atribuiu na última quarta-feira, 25 de outubro, o Rating Nacional de Longo Prazo Prazo ‘AAA(exp)(bra)’ com Perspectiva Estável à proposta de 1ª emissão de debêntures da Ventos de Santo Estevão Holding S.A. O montante é de R$ 160 milhões com vencimento em julho de 2032. O projeto foi desenvolvido e patrocinado pela Casa dos Ventos Energias Renováveis.

O rating reflete a mitigação do risco de construção e de desenvolvimento (ramp-up) do projeto, uma vez que todos os parques eólicos se encontram operacionais desde outubro de 2017 e o projeto se beneficia de fianças bancárias até seu completion financeiro; a existência de estudos de ventos satisfatórios, baseados em dez torres anemométricas com mais de quatro anos de medições e boa correlação de longo prazo; as características dos contratos de compra e venda de energia (CCEARs) de Leilões de Energia Nova (LEN), que liquidam eventuais déficits de geração de energia ao preço de liquidação de diferenças (PLD); e as caraterísticas dos contratos de energia de reserva (CERs) de Leilões de Energia de Reserva (LER), que liquidam eventuais déficits de geração de energia a um fator sobre o preço contratado.

As debêntures serão seniores, pari-passu com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e se beneficiam de conta reserva equivalente à parcela de serviço da dívida vincenda. As debêntures também estão expostas a descasamentos entre inflação e taxa de juros de longo prazo (TJLP). Os índices de cobertura do serviço da dívida (Debt Service Coverage Ratios – DSCRs) mínimo e médio no cenário de rating da Fitch são de 1,27 vez e 1,52 vez, respectivamente. Sob cenários extremos, refletidos em consumo do caixa total, o projeto resiste a substanciais decréscimos de geração de energia e a incrementos de custos, sem deixar de honrar suas obrigações financeiras.

Os volumes de energia foram estimados por certificadores com boa reputação e se basearam em medições acima de quatro anos, por meio de dez torres anemométricas. A correlação de longo prazo resultante é boa. Os cenários da Fitch incorporam cortes adicionais de 7,0% sobre o P-90 médio de dez anos, devido ao fato de a diferença entre o P-90 de um ano e o P-50 estimado ser superior a 16% — em linha com a metodologia da agência para o atributo ‘Fraco’ no Risco de Volume. As premissas consideram, ainda, a expectativa de rateio das perdas de 2,2% da rede básica, não contemplada nos estudos de ventos.

No cenário de rating da Fitch, os DSCRs mínimo e médio foram de 1,27 vez e 1,52 vez. Já a alavancagem, medida pelo índice dívida líquida/EBITDA, se reduz de 5,43 vezes, em dezembro de 2018, para 3,73 vezes em 2021, devido à relevante entrada de recursos provenientes de PPAs de curto prazo em 2017 e 2018, com preços superiores aos dos PPAs de longo prazo. Os breakevens de produção — de 71% abaixo do P-50 e de incremento de 112% nos custos de O&M dos aerogeradores — refletem a alavancagem inferior à de outros projetos eólicos avaliados pela Fitch.

A expectativa do cenário-base da Fitch (P-50) é de que, em 2018 — primeiro ano completo de operação do projeto —, a receita líquida atinja R$ 257 milhões, e o EBITDA, R$ 213 milhões. O projeto deve encerrar 2018 com dívida total de R$ 1,275 bilhão e caixa/contas reserva no início do ano de R$ 53 milhões, o que resultaria em relação dívida líquida/EBITDA de 5,32 vezes ao final do ano.