Eólicas tiveram menor geração e maior volatilidade em 2015, aponta estudo da Fitch

Cerca de 44% dos projetos geraram ao menos 10% aquém do volume autorizado pelo regulador

Carolina Medeiros Operação e Manutenção
14/09/2016

A geração dos parques eólicos brasileiros em 2015 foi a menor dos últimos três anos, segundo o relatório "Projetos Eólicos no Brasil: Menor Geração, Maior Volatilidade", publicado pela Fitch Ratings. No agregado, os projetos atingiram 93,6% da garantia física, sendo que 48,4% a excederam. No entanto, quase 44% ficaram ao menos 10% aquém do volume autorizado pelo regulador. Em 2013 e 2014 os projetos geraram em média 95,4% e 99,5% da garantia física, respectivamente. Os dados relativos a 2015 se referem a 64 usinas ou conjuntos cuja capacidade instalada totalizava 3.536 MW e a garantia física, 1.453 MW médios.

Para a Fitch, o elevado desvio-padrão confirma a volatilidade dos regimes eólicos e evidencia que nem mesmo anos considerados favoráveis ficam fora desta característica. O estudo aponta ainda que o ano de 2015 foi o que teve o maio número de projetos com geração acima da garantia física: 48,4%, ante 41,2%  em 2014 e 28,6% em 2013. Além disso, em 2015, 25% apresentaram spread de 10% acima da garantia física, enquanto em 2014 foram 17,6% e em 2013, 14,3%.

Com exceção de Cidreira I, localizado no Rio Grande do Sul, todos os projetos com spreads positivos estão no Nordeste, principalmente na Bahia e no Ceará.

Representando 13,7% da capacidade de geração eólica, de acordo com o relatório, os projetos localizados na Bahia demonstram a melhor performance operacional do país, gerando energia 19,9%, 22,8% e 13,7% acima da garantia física em 2015, 2014 e 2013, respectivamente. Os projetos no Ceará, onde estão 20,3% da capacidade instalada, performaram 2,8% acima da garantia física em 2015, ante -0,6% em 2014. Já os projetos do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e de Santa Catarina tiveram desempenho inferior à garantia física em 2015, gerando, em média, -9,4%, -19,6% e -46,7%, respectivamente.

De janeiro a abril, ainda de acordo com a Fitch, o fator de capacidade médio da amostra do Nordeste caiu de 31% para 29%. Na do Sul, porém, aumentou de 22% para 27%. "O declínio no Nordeste é consistente com flutuações a P90 identificadas pelas certificações. Apesar das incertezas no Sul, a elevação do desempenho corrobora a influência do El Niño na região", apontou.