Engie Brasil estuda participar do próximo leilão de transmissão

Empresa se prepara para receber a UHE Jirau e também olha para o certame de outorga de usinas

Wagner Freire Negócios e Empresas
17/02/2017

A Engie Brasil Energia está se preparando para participar do próximo leilão de transmissão, previsto para abril, afirmou o presidente da companhia, Eduardo Sattamini, em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia nesta sexta-feira, 17 de fevereiro, em Florianópolis, Santa Catarina. Em caso de sucesso, a maior empresa privada de geração de energia do Brasil marcará sua entrada no setor de linhas e subestações, seguindo uma tendência evidenciada em 2016, quando a brasileira Equatorial e a portuguesa EDP estrearam nesse segmento.

"Estamos olhando o leilão de abril e provavelmente vamos estar participando de forma ativa", afirmou o executivo. "O governo tem uma grande demanda, o retorno está mais alto e é um investimento estável. Para gente, faz sentido na nossa estratégia investir em transmissão", completou.

A Engie Brasil opera 7 mil MW de capacidade instalada no Brasil, sendo 80% de fonte hidrelétrica, 15% de térmicas (gás e carvão) e 5% de fontes alternativas (eólica e biomassa). Neste ano, a empresa deverá assumir a operação da hidrelétrica de Jirau (RO-3.750 MW), uma vez que o processo de motorização das 50 máquinas foi concluído em 2016. "Com a conclusão da motorização, a gente entende que a Engie internacional vai começar a olhar para essa transferência esse ano", disse Sattamini.

A companhia está investindo R$ 2,5 bilhões (valores atualizados) na construção da térmica a carvão Pampa Sul, no Rio Grande do Sul e outros R$ 2 bilhões no complexo eólico Campo Largo (327 MW), na Bahia. Nesta semana, a Engie Brasil anunciou a contratação do banco Morgan Stanley para sondar o interesse do mercado em suas plantas a carvão, que inclui Complexo Jorge Lacerda, localizado no Sul do Estado de Santa Catarina, além de Pampa Sul. 

"Contratamos o banco para sondar possíveis interessados, a venda dependerá do interesse do mercado. A estratégia é de sair da atividade de geração de alto carbono, carvão é uma delas", afirmou Sattamini. "A gente pode vender dependendo do preço que venham a pagar, pois são ativos que agregam valor a nossa atividade. Faremos uma análise depois de ter as primeiras manifestações de interesse dessa sondagem no mercado." A autorização do Complexo Jorge Lacerda termina em 2028, mas nada impede que o novo comprador estenda esse prazo junto ao governo. Pampa Sul foi vencedora do leilão A-5 de 2014 e tem contrato de fornecimento pelos próximos 25 anos.

Sattamini também revelou seu interesse no leilão de usinas existentes, que deverá ser realizado nesta ano pelo governo. Onze usinas hidrelétricas deverão ser leiloadas, a maior parte delas pertencentes a Cemig. "Sabendo que existe um excesso de oferta e a gente não terá grandes oportunidades nos próximos leilões de geração, a gente já esta olhando outras oportunidades. Esse leilão de usinas existentes, a gente vai olhar isso com certeza. Faz parte do nossa DNA a operação de UHEs, são ativos interessantes que podem melhorar a nossa competitividade."

*O repórter viajou a convite da Engie Solar