ENASE - ONS: abastecimento está assegurado mesmo com retomada da economia

Principal questão que impactará o país é o custo dessa geração, que poderá ser mais alto caso não haja água disponível nos reservatórios, afirmou Luiz Eduardo Barata

Maurício Godoi Da Agência CanalEnergia
17/05/2017

O diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Luiz Eduardo Barata, voltou a assegurar que o país não corre o risco de desabastecimento de energia para o período entre 2017 e 2021. De acordo com o executivo, a questão a ser avaliada é o volume da variável água que o país terá à disposição. Quanto menor o volume desses recursos, mais se necessitará de despacho térmico e com isso o custo será mais elevado.

“A falta do combustível água fará com que usemos outros, como as térmicas e, consequentemente, fará com que o custo seja mais elevado”, comentou ele em sua participação na 14ª edição do Enase, evento que é realizado no Rio de Janeiro.  “As nossas avaliações que temos feito nos permite dizer que mesmo com a retomada do crescimento,  ainda assim, teremos condições de enfrentar esse desafio e atender a demanda”, acrescentou.

Barata reforçou a expectativa de que a matriz elétrica brasileira será cada vez mais complexa de operar. Ele lembra que o país continuará com usinas sem reservatórios, o aumento das participações das fontes renováveis, principalmente a eólica no momento, ao mesmo tempo que vemos o aumento dos sistemas de transmissão HVDC. Esses fatores, apontou, vão exigir uma nova forma de operar o sistema interligado e cada vez mais a necessidade de inovação.

Não bastasse esses pontos, citou Barata, há ainda o avanço da tecnologia na rede que exigirá a evolução dos modelos computacionais e que possam representar as incertezas das fontes intermitentes na rede, bem como, a transmissão.

Outra ação no sentido de modernizar os mecanismos que o operador tem à disposição, a resposta da demanda é o que atrai o maior otimismo do operador. O piloto que é planejado para o segundo semestre do ano deverá ter duração de 12 a 18 meses no Nordeste.

“A ideia do projeto é de ter um piloto com dois produtos um para atuar na ponta do sistema e outro para mitigar a intermitência das eólicas, este em especial, se aplica muito bem à região  Nordeste, onde estamos com problemas sérios. Esse projeto traria potencial para aproveitar o benefício da eólica e a redução do uso das térmicas sem prejudicar a continuidade de operação”, afirmou ele.