Eletrobras ainda estuda Tapajós e planeja 21 GW em UHEs depois de 2022

Empresa participa atualmente da implantação de 14 GW em projetos. Expansão hídrica permanece no radar do setor

Pedro Aurélio Teixeira Planejamento e Expansão
01/12/2016

Mesmo com seu pedido de licenciamento arquivado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, Recursos Naturais e Renováveis, a hidrelétrica de Tapajós (8.000 MW) não foi totalmente esquecida pelo setor. Nesta quinta-feira, 1º de dezembro, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, em apresentação em seminário da FGV Energia, no Rio de Janeiro (RJ), inseriu a hidrelétrica como projetos em estudos da empresa a serem implantados a partir de 2022. Ferreira Junior incluiu ainda as usinas de Jatobá, Garabi, Panambi e Serra Quebrada, todas de grande porte. Juntas, elas trazem uma potência de 21.000 MW. Até 2022, a estatal deve adicionar ao sistema 14 GW em novos projetos, como as usinas de Belo Monte, Sinop e São Manoel, além de vários parques eólicos.

A necessidade da ampliação de energia firme no sistema não é segredo, uma vez que a presença cada vez mais forte de fontes renováveis vai trazer essa necessidade. Entre UHEs e térmicas, as primeiras levam vantagem por serem mais baratas. Fora da Amazônia, há estudos de potenciais de usinas, mas sem a pujança das que formam o complexo do Tapajós.

A retomada da expansão hidrelétrica vem sendo prometida pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Luiz Augusto Barroso, que também participou do seminário. Para ele, a batalha das UHEs deve ser também das renováveis, já que a fonte hídrica permitiu a inserção sustentável das renováveis no país, e pede uma discussão pragmática. "Vamos discutir com a sociedade, vamos colocar as hidrelétricas de novo no mapa do planejamento", adianta. Em caso de insucesso nessa expansão hídrica, ele garante que partirá imediatamente para a outra alternativa de fonte que possa suprir a inserção das renováveis, no caso as térmicas a gás. "Dá para fazer, vamos fazer. Não dá, vamos para a próxima", aponta. Barroso acredita que as UHEs de médio porte são mais fáceis de viabilizar, deixando as da Amazônia em segundo plano.

O pragmatismo na discussão a que o presidente da EPE quer usar para hidrelétricas pode ser a inserção no próximo plano decenal de cenários alternativos caso o futuro não seja conforme o planejado. O PDE é usado como o que vai acontecer no futuro e não apenas como uma referência. "Estamos trabalhando uma análise de cenários alternativos visando informar a sociedade das consequências das diferentes incertezas associadas ao processo", comenta.  

Para o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Luiz Eduardo Barata, que já ocupou a secretaria-executiva do Ministério de Minas e Energia, a rediscussão em torno da usina de Tapajós é importante. Ele acredita que é necessário um esclarecimento para a sociedade dos benefícios que a usina vai trazer para a região e ao sistema e também mostrar os erros que podem ter ocorridos na implantação de projetos hídricos semelhantes. "Não é razoável desperdiçarmos esse potencial", avisou. Segundo Barata, é melhor implantar o complexo de Tapajós com todas as adequações ambientais do que não ter UHEs e ter que implantar térmicas.