Cresce a demanda por certificados de energia renovável no Brasil

Comercialização de RECs deve atingir 3 milhões em 2019, ante uma demanda de 337 mil em 2018

Da Agência CanalEnergia 
29/05/2019

A demanda por certificados de energia renovável no Brasil tem crescido nos últimos anos e deve atingir 3 milhões de I-RECs comercializados apenas nesse ano, informou sócio diretor do instituto Totum, Fernando Lopes, instituição responsável por conceder a permissão para que empresas negociem I-RECs.

Considerando dados históricos dos últimos três anos, foram comercializados 107,5 mil, 229,3 mil e 337,4 mil RECs, respectivamente, nos anos de 2016, 2017 e 2018. Até maio de 2019 já foram comercializados 1,5 milhão de certificados. Os dados foram apresentados no Brazil Windpower na última terça-feira, 28 de maio, em São Paulo.

O REC é um certificado que garante a rastreabilidade da energia. Empresas e consumidores têm procurado esse tipo de certificado para garantir que a energia consumida é oriunda de fontes renováveis e limpas, assim contribuindo para a descarbonização do planeta.

Segundo Lopes, muitas comercializadoras de energia no Brasil estão oferecendo esses certificados de energia renovável. Cada REC equivale a 1 MWh consumido. O preço de cada certificado pode variar entre R$ 2,00 e R$ 4,00. Há empresas operando no Brasil apenas na comercialização de RECs, mesmo sem ter usina ou uma comercializadora de energia.

“Os consumidores voluntariamente estão procurando energia renovável ou comprando esses certificados. Isso é o reconhecimento de um atributo que cria um mercado adicional. Criou-se um mercado bilateral, sem a interferência do governo, apenas juntando as duas pontas”, enfatizou o presidente da PSR, Luiz Barroso.

Para presidente da AES Tietê, Ítalo Freitas, o I-REC veio para garantir para o consumidor que ele está comprando energia 100% renovável. Ele ainda lembrou que as fontes renováveis, entretanto, não apenas contribuem para redução de CO2, mas também para o desenvolvimento social.

“Acho que as empresas ainda não capturam esse impacto social que a implantação de um projeto eólico pode gerar em uma determinada região, principalmente no Nordeste do Brasil, que é uma região mais pobre”, destacou Freitas.