CPFL moderniza centro de operações e aponta ganhos de 35% em eficiência

Centro de Operações concentra todos os ativos da empresa em um local só e com a padronização de sistemas e telas calculou ganhos operacionais medida que era avaliada dois anos atrás

Da Agência CanalEnergia 
26/09/2019

A CPFL Renováveis terminou o processo de modernização do sistema SCADA no Centro de Operações Integradas, localizador no município de Jundiaí (SP). O centro está em operação a cerca de dois anos e meio controlando todos os ativos da empresa espalhados pelo país. O objetivo desse aporte foi o de maximizar a geração de energia elétrica e diminuir os custos com operação e manutenção de seus ativos. Segundo os cálculos da empresa, esse trabalho resultou em um ganho com eficiência operacional em 35%.

Essa modernização é um passo já indicado pela empresa ainda em 2017, quando da recém inauguração do centro. Naquela época havia dois centros de operação, esse de Jundiaí para as usinas de fontes como biomassa, solar e PCH. O segundo ficava em Fortaleza (CE) para a operação dos complexos eólicos, linhas de transmissão e subestações.

Em 2017 a meta era a de redução de custos na ordem de 30% bem como equilibrar a performance dos projetos e riscos de operação. O COI, como é chamado o centro na cidade paulista, é um dos pilares do programa Avançar da empresa, desenvolvido em 2015 e que teve o encerramento da fase que incluiu o centro até o ano passado.

 À época o centro já havia sido dimensionado para atender a todo o portfólio de geração da companhia. Hoje esse volume é de 2,1 GW distribuídos por 94 usinas em operação. Com a finalização do COI em Jundiaí o centro de Fortaleza foi desmobilizado. A escolha pela cidade do interior paulista deu-se em decorrência deste centro estar próximo à administração central da CPFL Renováveis e por estar localizada em uma região central às demais usinas da empresa. Apesar de Fortaleza ter o maior volume de capacidade da empresa, isso deixaria o COI mais afastado da sede. Essa escolha, contou a empresa à época, se deu de forma natural até porque as atividades do centro podem ser feitas de qualquer localidade, o importante é manter a estrutura de pessoal que atua em campo próximo aos ativos.

Alterações A empresa escolheu a plataforma da Elipse para realizar a modernização do centro. Entre os destaques do trabalho está a interface de high performance, mais simples, padronizada e intuitiva, sendo uma das maiores aplicações SCADA do setor elétrico brasileiro em número de pontos monitorados, mais de 700 mil no total.

De acordo com o coordenador do Grupo de Energia da Elipse Software, Rubem Guimarães, antes da modernização, o sistema utilizado nas PCHs era composto por diferentes softwares, cada um com sua específica interface e inteligência operacional. Este volume de soluções, comentou ele, demandava a existência de várias telas, cerca de 20 a 30 por usina, gerando grande poluição visual pelo excesso de informações.

No caso das eólicas, cada conjunto de parques possuía um software SCADA distinto, os quais eram acessados pela central de operações de Fortaleza, mas também localmente via aplicações instaladas nas usinas. Todavia, o controle realizado pela central oferecia algumas limitações em função do protocolo utilizado (RDP do Windows) e pela impossibilidade de acesso ao mesmo servidor via dois pontos distintos (central e local). Estes fatores levaram a CPFL Renováveis a controlar suas eólicas somente de modo local ou remoto, através de vários sistemas, um para cada conjunto de parques.

“Eram dois centros de operação e, além disso, nossos operadores não dispunham de sistemas padronizados nem de boa interface homem-máquina. Com um único Centro e novos sistemas, mais amigáveis e inteligentes, conseguimos maximizar a receita e aumentar a eficiência com ganho de sinergia”, comentou o superintendente de O&M, Flávio Ribeiro.

A partir da modernização, o COI passou a apresentar somente três mesas para operar 40 PCHs, 16 complexos eólicos, com 645 aerogeradores no total, e uma usina solar. No total foram utilizados quatro produtos da Elipse. Entre eles um sistema que se comunica diretamente com o ONS, outro para monitoramento e controle de PCHs, enquanto outro é dedicado à solar e eólicas. O executivo comentou que apesar de diferentes fontes estas usinas apresentam telas padronizadas o que facilita a leitura dos dados e das informações sobre os ativos. O último procura calcular automaticamente diferentes indicadores de eficiência e a disponibilidade das usinas por meio de algoritmos implementados em Python.

Guimarães ressaltou que esse trabalho foi realizado a seis mãos com a participação da Elipse, da integradora Automalógica e a própria CPFL Renováveis. Foram cerca de três anos de trabalho que envolveu desde o planejamento para verificar a necessidade de hardware e software. Ele relatou que foi necessária a vista a todos os ativos da empresa, algumas mais antigas que outras e exigiu a necessidade de troca de equipamentos e softwares por outros mais modernos para a padronização.

Além disso houve a necessidade de adoção de protocolo de comunicação de mercado que já é consolidado, o IEC104. O executivo destacou ainda que esse tipo de protocolo é de fundamental importância para tornar a operação das usinas mais eficiente. Além disso, a padronização das telas e sistemas ajudou a aprimorar a eficiência da operação, pois operadores podem cuidar de mais de um empreendimento, otimizando seu trabalho. “Foi possível fazer mais em menos tempo”, concordou ele. O sistema possui proteções e a possibilidade de ficar indisponível é considerado pelo executivo como baixíssimo. Ele afirmou que há vários níveis de redundância.

Foi necessária a vista a todos os ativos da empresa, algumas mais antigas que outras e exigiu a necessidade de troca de equipamentos e softwares por outros mais modernos para a padronização, Rubem Guimarães, da Elipse Software.

O segmento de energia é responsável por mais de 50% do faturamento da Elipse Software, empresa de Porto Alegre. A companhia afirma que essa é a principal vertical de negócios dentre os segmentos nos quais atua. Segundo o coordenador estão na carteira de clientes empresas de geração, transmissão e distribuição. Aliás, disse ele sem revelar números o alto volume de lotes de transmissão colocados no mercado nos últimos leilões tem ajudado a elevar a participação desse segmento na companhia.