CPFL Energia registra lucro líquido de R$ 879 milhões no ano de 2016

Resultado da holding é praticamente estável na comparação com 2015. Dívidas totais aumentaram 8,3%, chegando a R$ 13,225 bi

Oldon Machado Investimentos e Finanças
24/03/2017

Positivo em R$ 879 milhões, o resultado do grupo CPFL Energia ao final de 2016 praticamente se manteve estável na comparação com o exercício anterior, quando o lucro líquido alcançado foi de R$ 875 milhões. No corte do último trimestre, o lucro líquido apresentou uma queda acentuada 62,2%, passando de R$ 363 milhões em 2015 para R$ 137 milhões em 2016. De acordo com as demonstrações financeiras divulgadas pela holding nesta sexta-feira (24), a variação no ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) também foi residual, negativa em 0,4%, fechando em R$ 4,126 bilhões no ano passado.

No quarto trimestre do ano passado, a dívida líquida no critério covenant (considerando cláusulas contratuais que impõem limites administrativos ao tomador de empréstimos) atingiu R$ 13,225 bilhões, um aumento de 8,3% em relação à posição de dívida líquida no final do último trimestre de 2015, que era de R$ 12,213 bilhões. O aumento do volume da dívida Líquida no ano passado, segundo a companhia, deve-se principalmente à aquisição da RGE Sul em junho, operação cuja consolidação de seu endividamento junto à CPFL Energia se deu em novembro de 2016, impactando em R$ 1,1 bilhão.

Os investimentos do grupo apresentaram um salto de 56,2% no ano passado, totalizando R$ 2,288 bilhões. Os recursos foram destinados principalmente à operação, manutenção e ampliação dos ativos de distribuição e também aos novos projetos na geração, notadamente à finalização dos Complexos Eólicos Campo dos Ventos e São Benedito, que adicionaram 231 MW à carteira da empresa em dezembro do ano passado; e à construção do Complexo Eólico Pedra Cheirosa e da PCH Mata Velha. Apenas no último trimestre do ano, os investimentos da holding totalizaram R$ 694 milhões.

Considerando a incorporação da RGE Sul nos dois últimos meses do ano, as vendas na área de concessão das concessionárias de distribuição do grupo tiveram leve queda de 1,0% em 2016, fechando em 56.987 GWh, com maior queda (1,1%) no mercado cativo e menor (0,8%) entre os clientes livres. Sem a RGE Sul no último bimestre, a queda nas vendas foi ainda maior: 3,5%, saindo de 57.558 GWh em 2015 para 55.536 GWh em 2016. Segundo o grupo, a retração reflete o cenário macroeconômico adverso, resultando na queda do consumo e na forte migração de clientes para o mercado livre.

Representando 37,9% das vendas totais do grupo, a classe industrial apresentou uma redução de 5,7% considerando a aquisição da RGE Sul. Desconsiderando o efeito da distribuidora, a redução foi de 7,6%, o que segundo a holding reflete a desaceleração da atividade econômica. As classes residencial (28,9% das vendas totais) e comercial (17,2% do total) tiveram, respectivamente, reduções de 0,7% e 3,7% no ano passado frente ao exercício anterior, sem a influência da aquisição da RGE Sul. A companhia novamente justifica a queda nas vendas à baixa atividade econômica em comparação com o ano de 2015.