Contratos por quantidade deverão elevar preço no A-6 em 5%, estima MME

Para ABEEólica, os investidores tiveram pouco tempo e é capaz de que os lances superestimem os riscos no certame

Agência CanalEnergia 
09/08/2018

O Ministério de Minas e Energia estima que a mudança da forma de contratação da energia eólica nos leilões de energia nova poderá levar a um aumento de cerca de 5% nos valores médios dos lances dos empreendedores. A alteração que passará a valer a partir do certame A-6 agendado para o próximo dia 31 de agosto, demandará uma alteração na metodologia dos cálculos, estudos e ferramentas que as empresas possuem atualmente e que aplicavam quando a disputa era por CCEARs por disponibilidade.

O secretário de Planejamento e de Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, citou um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, como a referência para esse número. Em sua opinião, esse índice está em um patamar aceitável em função dessa alteração que será implantada a partir do leilão do final do mês. Porém, reconhece que esse efeito não será irrelevante para o mercado caso seja confirmado. Mas destacou as virtudes desse sistema a partir da adoção do preço horário, estimado para entrar em vigor em 2020, pois é necessário conhecer a curva de geração da fonte.

Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Energia Eólica, Renato Volponi, esse deverá ser um dos principais desafios do segmento a partir desse ano. Em sua opinião, empresas com sede fora do país deverão encontrar dificuldades para se adaptar a esta nova realidade que o ambiente de contratação regulada apresenta aos empreendedores. E ainda, que a entidade tem a preocupação sobre o entendimento dos agentes acerca dessas mudanças e que consigam calcular de forma assertiva os lances a serem ofertados no final do mês ante esse novo parâmetro de risco.

“Já vimos empreendedores mais desavisados no passado e nos preocupamos que tenhamos lances errados que possam colocar o sistema em risco”, afirmou ele durante o painel de desafios da fonte eólica no Brasil, realizado durante o Brazil Wind Power, no Rio de Janeiro. “O timing para essa mudança foi muito em cima para a realização de um estudo, precisaríamos de mais preparação, de qualquer forma será feito de forma mais corrida do que o desejado, mas não deixaremos de participar. Talvez nessa primeira operação o risco poderá ser superestimado pelos investidores”, indicou ele.