Com foco na eficiência da gestão, Copel planeja empresa de serviços em energia

Novo presidente quer seguir passos de outros players. Desinvestimentos em atividades fora da área de atuação estão em pauta

Da Agência CanalEnergia 
21/01/2019

Primando pela continuidade do processo de eficientização da gestão e redução de custos iniciada na gestão anterior, o novo presidente da Copel, Daniel Slaviero, também planeja para o primeiro semestre de 2019 a criação de uma subsidiária para serviços de energia, em consonância com o crescimento da Geração Distribuída no país e o futuro do negócio da distribuição. “Já estamos em estudos avançados, isso já vinha sendo debatido dentro da companhia. A evolução tecnológica é inexorável no setor e nos próximos anos vai haver uma mudança estrutural grande”, afirma o executivo, que falou com exclusividade à Agência CanalEnergia. Ele quer seguir o exemplo de outros players do setor, como a CPFL, que é atuante nas soluções para Geração Distribuída e Eficiência Energética.

Com a meta de R$ 2 bilhões em investimentos para 2019, Slaviero descarta novos Planos de Demissões Voluntárias, já que nos últimos anos foram realizados dois PDVs que resultaram na adesão de 811 funcionários e economia de R$ 202 milhões para a Copel. Ele lembra que a disciplina econômico financeira e o foco nos resultados levaram a Copel a bons resultados financeiros na redução da alavancagem e na margem Ebitda. “A gente ainda vê espaço para avançar mais”, explica. O novo presidente da Copel salienta que uma outra diretriz adotada e que é um pedido do governador Ratinho Júnior (PSD) é que a Copel seja uma empresa de Geração, Transmissão e Distribuição de energia. Ativos e investimentos que não estiverem alinhados com esse foco serão reavaliados, segundo Slaviero.

Dentre os possíveis alvos estão a Copel Telecom, que oferece serviços de banda larga, e a Compagás, distribuidora de gás natural do estado. “O que faremos agora é colocar atenção e velocidade nessa análise no plano de desinvestimento”, ressalta. Em 2017, a Copel já havia vendido a participação que tinha na Sanepar. Na distribuição, os investimentos para 2019 deverão ficar em R$ 835 milhões, 28% acima do ano passado.

Quanto à expansão, a Copel vai continuar atenta a oportunidades do mercado na geração e transmissão de energia em 2019. Hidrelétricas e renováveis deverão ser as fontes escolhidas. Ele conta que há uma outra diretriz do governo do estado que pede que os investimentos sejam preferencialmente feitos no estado do Paraná. O pedido não quer dizer que a empresa – presente em dez estados do país – vá preferir obrigatoriamente uma PCH local em detrimento de um parque eólico na região Nordeste, por exemplo. Aspectos como a capacidade e os investimentos necessários serão levados em conta. O ganho de sinergia com projetos já existentes fora do Paraná, como ampliações ou instalação de placas solares em eólicas também contarão positivamente na escolha.

No primeiro semestre deste ano, a Copel conclui um ciclo de R$ 5 bilhões em investimentos, que se refletem na entrada em operação das UHEs Baixo Iguaçu (PR- 350 MW), em março; do parque eólico de Cutia e Bento Miguel (RN – 312,9 MW), em abril; e de Colíder (300 MW), em maio. Essas usinas vão trazer para ela um aumento de R$ 466,1 milhões na receita. “Vamos começar agora a colher esses frutos”, aponta.

O presidente da Copel se mostrou bastante animado e com boa expectativa para o governo de Jair Bolsonaro. Ele elogiou o discurso do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que visa atacar os problemas estruturais do setor elétrico, além da busca pela previsibilidade de modo a atrair investimentos nacionais e internacionais para a área de energia. “Estamos reputando altíssimas e positivas expectativas com a gestão para enfrentar os problemas do setor”, conclui.