Brain Energy vai fornecer energia renovável para shoppings no Brasil

Projeto Energy for Mobility prevê reserva de 50 MW eólicos para empreendimentos administrados pela Indigo, que terão a tarifa de energia elétrica reduzida em mais 25% em alguns casos

Da Agência CanalEnergia 
24/09/2018

Buscando expandir sua atuação junto ao mercado eletrointensivo de energias renováveis, a Brain Energy fechou contrato com a Indigo e irá fornecer energia eólica para atender à demanda energética de shopping centers em todo país. Atualmente, a empresa é responsável pela administração dos estacionamentos de aproximadamente 200 empreendimentos, configurando um mercado em potencial para a implementação do projeto, que prevê uma reserva de 50 MW.

“A energia é um dos maiores custos e o que mais cresce em um shopping center. O Energy for Mobility é um modelo de aplicação voltado a gerar uma drástica redução deste através do investimento em parques eólicos, que também é importante por se tratar de uma fonte sustentável”, afirmou Fernando Stein, CEO da Indigo no Brasil.

A energia renovável será gerada a partir de um conjunto de seis fazendas eólicas no Complexo Capão Alto, que está habilitado para construção no distrito de Tapes, no Rio Grande do Sul, e que tem capacidade prevista de 239 MW. Dependendo do prazo do projeto, a redução na conta de energia poderá chegar a mais de 25% quando comparado com os valores praticados pelo mercado livre. Os recursos para a construção dos parques eólicos, a partir de 10 MW até 30 MW, será viabilizado pela própria Indigo, que amortizará o mesmo ao longo do contrato com o shopping center.

De acordo com Daniel Andrade, sócio fundador da Brain Energy, a ideia é proporcionar uma estabilidade tarifária para empreendimentos de longo prazo, com a empresa assumindo todas etapas de transmissão e submercado, levando a energia na porta do consumidor, que tem sofrido uma variabilidade nas tarifas mesmo no mercado livre, devido aos atuais baixos níveis dos reservatórios do país, onde a energia reserva está sendo despachada.

“O primeiro benefício para os shoppings é ter um planejamento energético, através do conhecimento de suas tarifas pelo próximos 15 ou 20 anos, saindo da montanha russa que virou o mercado de energia no Brasil. Depois há a segurança energética, com um parque eólico totalmente exclusivo à disposição”, comentou Daniel, garantindo que a empresa não irá vender a energia excedente.

Esse processo de migração se mostra em bastante evolução no país, com os consumidores saindo dos mercados regulado e cativo. Para o executivo, o momento ainda de sobra de energia, devido à crise que ainda se prolonga no país, “que ainda tem sua capacidade de geração para o momento de retomada da economia”, prevê.

Ampliação de mercado e investimentos

Criada em 2012, a Brain Energy tem investido seus esforços na busca por novos clientes e parcerias dentro da área de renováveis, acessando diretamente todo mercado consumidor eletrointensivo do Brasil, sobretudo com o segmento varejista. “Estamos muito próximos de assinar o primeiro PPA de longo prazo com um grande grupo nacional, talvez nos próximos messes tenhamos notícias desta parceria, com contrato no mercado livre de 20 anos”, revelou Daniel Andrade.

Atualmente, o foco da companhia está no desenvolvimento dos parques no Rio Grande do Sul, que terão inicialmente 1,7 GW, onde o complexo de Capão Alto está incluso. Segundo o executivo, o próximo passo será uma sequência de 900 MW, que irão totalizar 2,6 GW em cinco anos. “Temos uma área muito grande na região de Rio Grande (RS) e temos a expansão da região de Tapes para mais 400 MW. A intenção é performar todos os projetos focados no mercado livre dentro de cinco anos”, comentou.

Quanto à relação com os consumidores, o executivo salienta que a percepção dos mesmos quanto ao pensamento a longo prazo os ajuda a compreender melhor os ganhos e benefícios desses contratos de energia. “Esse cliente que está prestes a fechar conosco tem sofrido problemas graves anualmente em seu orçamento, tendo fechado as contas no vermelho nos últimos quatro anos. Os contratos são de curto prazos e isso descompassa em termos de planejamento estratégico: crescimento, expansão e as demais operações da indústria, principalmente”, explicou Daniel Andrade.