BNEF: renováveis terão investimentos de US$ 7,4 trilhões e custos reduzidos até 2040

Estudo New Energy Outlook também aponta para ritmo mais rápido na descarbonização e crescimento da geração distribuída

Pedro Aurélio Teixeira Da Agência CanalEnergia
21/06/2017

O New Energy Outlook, feito pela Bloomberg New Energy Finance, mostra que energias renováveis como solar e eólica vão receber 72% ou US$ 7,4 trilhões dos US$ 10,2 trilhões que o mundo vai investir em novas formas de tecnologia de geração até 2040, quando elas serão 48% da capacidade instalada no mundo e 34% da geração de eletricidade. O NEO também diz que o progresso da descarbonização vai ter uma velocidade maior que a esperada. As emissões globais são projetadas para atingir o pico em 2026 e ser 4% menores em 2040 do que estavam em 2016.

De acordo com Jon Moore, presidente-executivo da BNEF, o NEO reflete a compreensão que a equipe acumulou ao longo de mais de dez anos de como os custos de tecnologia e a dinâmica do sistema evoluíram e estão evoluindo. O NEO deste ano mostra uma transição ainda mais dramática para baixo carbono do que a projetada nos anos anteriores, com queda mais acentuada nos custos eólicos e solares e um crescimento mais rápido para armazenamento de energia.

A fonte solar deve ter investimentos de US$ 2,8 trilhões, e terá um salto de 14 vezes de capacidade. O custo dos painéis fotovoltaicos, que hoje é de quase 25% do que era em 2009, deverá baixar outros 66% até 2040. Até lá, um dólar comprará 2,3 vezes mais energia solar do que hoje. A energia solar já se equipara em preço com o carvão na Alemanha, Austrália, EUA, Espanha e Itália. Em 2021, será também na China, Índia, México, Reino Unido e Brasil.

Outro dado que o New Energy Outlook aponta é que até 2040, os painéis solares fotovoltaicos residenciais representarão até 24% da eletricidade na Austrália, 20% no Brasil, 15% na Alemanha, 12% no Japão e 5% nos EUA e na Índia. Isso, combinado com o crescimento das energias renováveis em larga escala, reduz a necessidade de plantas de carvão e gás existentes, cujos proprietários enfrentarão uma pressão contínua sobre suas receitas, apesar de um crescimento de demanda por causa de veículos elétricos.

Na fonte eólica, os custos da modalidade offshore cairão 71% até 2040, devido a experiência de desenvolvimento, competição e risco reduzido, e economia de escala resultante de projetos e turbinas maiores. O custo da eólica onshore cairá 47% no mesmo período, além da queda de 30% nos últimos oito anos, graças as turbinas mais baratas e mais eficientes e procedimentos de operação e manutenção simplificados.

O carvão deve sofrer uma queda no seu consumo de 87% na Europa até 2040. Nos EUA, o uso de carvão para geração de energia vai cair 45%, já que as plantas antigas não serão substituídas e outras começarão a queimar gás mais barato. Na China, ela cresce um quinto na próxima década, mas atinge seu pico em 2026. A expectativa global é que 369 GW de novas plantas de carvão planejadas sejam canceladas, sendo um terço delas da Índia, e que a demanda global de carvão para geração de energia diminua 15% entre 2016 e 2040.

O estudo trata o gás como uma fonte de transição, sendo uma das tecnologias flexíveis necessárias para atender aos picos de demanda e proporcionar estabilidade ao sistema em uma era de geração renovável crescente. Ao contrário do previsto, o gás não vai substituir o carvão. Mas nas Américas, onde ele é mais barato, vai ter papel importante no curto prazo. Na Europa e nos EUA, os veículos elétricos representarão 13% e 12%, respectivamente, da geração de eletricidade até 2040. O crescimento desses veículos reduz o custo das baterias de íon de lítio, chegando a uma queda de 73% até 2030.