Baterias podem não ser tão relevantes para o Brasil, aponta BNEF

Tecnologia pode ser melhor aproveitada no segmento de distribuição, dizem especialistas

Da Agência CanalEnergia 
28/05/2019

Os sistemas de armazenamento de energia com baterias talvez não sejam tão importantes para o setor elétrico brasileiro, disse James Ellis, analista para América Latina da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Segundo ele, as “baterias não são a solução universal para se obter flexibilidade no futuro”, ainda mais em um país como o Brasil, cuja matriz de geração tem como base a hidrelétrica, que pode funcionar em complementariedade com as novas renováveis.

“As hidrelétricas aqui trazem essa flexibilidade, talvez as baterias não sejam tão importantes em um mercado como o Brasil”, disse o executivo durante participação no Brasil Windpower, nesta terça-feira, 28 de maio, em São Paulo.

O tema da flexibilidade se tornou importante na medida que o mundo busca uma matriz mais limpa e renovável. O atendimento dessa demanda será feita pelas fontes eólica e solar, que por suas características naturais são voláteis. Os sistemas de armazenamento de energia com baterias funcionam como uma ferramenta para guardar energia no momento que ela não é necessária, bem como atender o sistema nos momentos de pico de demanda ou ausência das renováveis.

O ex -diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, Tiago de Barros Correia, lembrou que outra forma de atender ao requisito de flexibilidade é avançar na modalidade de resposta da demanda. Esse mecanismo vem sendo desenvolvido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em que paga-se um prêmio para o consumidor (normalmente industrial) para reduzir a carga ao invés de acionar as térmicas.

Para o diretor de estratégia e regulação da Engie Brasil Energia, Edson Silva, as baterias serão importantes para o segmento de distribuição, principalmente quando o mercado brasileiro evoluir para preços variando ao longo do dia. “Você pode armazenar energia por algumas horas e entregar em outro período. No Brasil essa prática é comum, por exemplo, shoppings centres que usam geradores a diesel para atender no momento de maior demanda”, disse ele, também presente no evento.

Barros lembrou que as baterias também podem ser utilizadas pelas distribuidoras em substituição a investimentos em subestações em grandes metrópoles, onde o espaço para novas subestações é limitado.