Aumento dos apagões levou ao uso de mais energia térmica em Roraima

Desde domingo, 16, Boa Vista tem sido abastecida exclusivamente por usinas a óleo, que substituíram a carga da Venezuela

Da Agência CanalEnergia 
20/09/2018

O aumento nas interrupções no suprimento da energia da Venezuela para Boa Vista levou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico a autorizar o abastecimento da capital de Roraima exclusivamente por usinas termelétricas a óleo, que já são usadas para complementar a carga local. Desde o último domingo, 16 de setembro, essas usinas têm substituído a energia que chega do país vizinho pela linha de transmissão de Guri, e a ideia é de elas sejam mantidas em operação durante as eleições, para evitar um possível blecaute.

“A decisão que se tomou no CMSE é: vamos testar para ver como funciona antes das eleições. A ideia era testar 72 horas. Testamos, funcionou bem. Durante esse período, não houve qualquer tipo de  desligamento”, informou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Luiz Eduardo Barata nesta quinta-feira, 20. A carga que abastece Boa Vista fica entre  230 MW e 240 MW e tem sido garantida em sua totalidade por térmicas de pequeno porte, com potência de 1 MW, 2 MW e 3 MW.

O ONS e a Eletrobras Roraima estão trabalhando na instalação do Esquema Regional de Alívio de Carga na área de atuação da distribuidora. O Erac é acionado quando há uma perda de geração com a finalidade cortar uma quantidade equivalente de carga para manter o equilíbrio do sistema. “Com isso, você recompõe a frequência e não tem um blecaute generalizado”, explicou Barata.

O operador pretende trabalhar com os dois sistemas juntos: gerar mais térmicas e manter a linha da Venezuela com  esquema de alívio de carga, para dar mais qualidade ao suprimento no estado. O CMSE ainda não discutiu a possibilidade de manter as usinas até o fim do ano, mas a intenção é garantir a confiabilidade, sem alcançar um custo exagerado.

Barata lembrou que há uma solução estrutural em curso no Ministério de Minas e Energia, que é a realização de um leilão no ano que vem para a contratação de novas fontes. O governo planeja combinar energia eólica, solar e biomassa. “[O estado] tem potencial de construção de uma usina hidrelétrica de grande porte, mas isso está fora desse horizonte. E precisaria também de um linhão, porque a linha que pode ser construída lá tem uma capacidade muito maior do que o consumo de Roraima.”

Sistema Interligado

O comitê de monitoramento terá uma nova reunião extraordinária na próxima quarta-feira, 26, para avaliar se mantem por mais uma semana a geração de termelétricas mais caras. Na reunião do CMSE da última quarta, 19, foi decidido manter a geração térmica fora da ordem de mérito na semana de 22 a 28 de setembro.

A avaliação da situação dos reservatórios do Sudeste tem sido feita diariamente pelo ONS. No momento em que o operador estiver convencido de que não existe mais risco de ter que acionar lá na frente um número maior de térmicas mais caras, disse Barata, ele deve recomendar a redução do despacho dessas usinas.