Após uma década eólica tem desafios para enfrentar e crescer

Novos contratos no mercado regulado, expansão no mercado livre, aprimoramento da previsão de ventos e de geração estão no hall de temas a serem enfrentados

Agência CanalEnergia 
09/08/2018

Mesmo depois de cerca de uma década de presença mais massiva no Brasil a fonte eólica possui muitos desafios a serem enfrentados. Entre estes fazem parte a questão da operação do sistema ao passo que a fonte avança em sua participação na matriz elétrica, a modelagem para a efetiva expansão no mercado livre, as opções e as tecnologias para o que é chamado de hibridização da fonte, aprimoramento da medição dos ventos e da previsibilidade da geração e outros diversos somam-se ao que está mais próximo de ser vivenciado pelo segmento: a contratação por quantidade e não mais por disponibilidade. São temas que permeiam os próximos anos do setor que deverá alcançar o segundo lugar entre as formas de geração de energia no país já no ano que vem.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Energia Eólica, Renato Volponi, o Brasil vive um momento primordial para que possa realmente alcançar os compromissos assumidos ainda na COP-22, em Paris, de aumento das fontes renováveis não hídricas em sua matriz elétrica. Mesmo sendo um país que possui um posicionamento diferenciado ainda há muito a se fazer.

“Temos que acelerar o passo para alcançar essas metas estabelecidas e os passos que temos dado ainda não foram suficientes. Contudo, não estamos tão longe dos objetivos firmados, mas a nossa posição não é tão próxima ao ponto de ficarmos relaxados ante esse processo”, destacou ele no Brazil Windpower 2018. Nesse sentido, enquanto o ambiente livre de contratação ainda não tem as condições necessárias para que se torne uma forma de crescimento mais expressivo, os leilões no ambiente regulado acabam sendo a saída mais viável no momento. Este ano essa expansão poderá ficar em pouco mais de 1 GW ao somarmos os volumes contratados nos leilões A-4 e, principalmente, no A-6, cuja estimativa de demanda foi revelada pelo secretário de Planejamento e de Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo.

Ele classificou esse volume como o possível a ser colocado no país ante a declaração de demanda das distribuidoras no país, que segundo suas palavras está abaixo do esperado pelo governo. Mas, nessa discussão ainda entra outro desafio que é a previsibilidade da realização de leilões.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Reive Barros, lembrou que a demanda estimada pelo indústria estabelecida localmente é de 2 GW ao ano para que possa manter a cadeia de fornecimento. E que em um futuro próximo a fonte conquistará um espaço de 14% da matriz. “No médio e longo prazo a eólica veio para ficar, e nossa expectativa, excluindo o momento específico do país que no curto prazo é de demanda pequena, é de que no médio e longo prazo há espaço para ser ocupado no setor de geração eólica”, comentou.

Para o executivo, poderia ser estabelecida uma faixa de referencia para dar segurança acerca de contratação de energia de uma forma geral. Esse caminho poderia se dar por energia de reserva ou um valor definido para a segurança energética. No foco da EPE, especificamente falando sobre a eólica, está a cadeia produtiva estabelecida por aqui e, cada vez mais, a questão social.

“Precisamos reavaliar as premissas ampliar a contratação de energia em geral, temos simpatia por todas as fontes de geração, todas são bem vindas na visão do planejador”, acrescentou ele defendendo maior previsibilidade de leilões para cada uma das fontes, reconhecendo que esta é uma discussão conjunta entre a EPE e o MME.

Apesar da limitação que o governo atual possui em decorrência da proximidade do final do mandato. É possível definir uma agenda com base no PDE. Inclusive, destacou Azevedo, do MME, a pasta já vinha procurando desenvolver alguma sinalização para o ano seguinte, sem datas, mas com uma indicação de quantos leilões ocorreriam no período que está por vir. Inclusive, está em elaboração o plano para 2019 uma sugestão de agenda para o próximo governo que assumir o país.Contratos por quantidade deverão elevar preço no A-6 em 5%, estima MME

Para ABEEólica, os investidores tiveram pouco tempo e é capaz de que os lances superestimem os riscos no certame

O Ministério de Minas e Energia estima que a mudança da forma de contratação da energia eólica nos leilões de energia nova poderá levar a um aumento de cerca de 5% nos valores médios dos lances dos empreendedores. A alteração que passará a valer a partir do certame A-6 agendado para o próximo dia 31 de agosto, demandará uma alteração na metodologia dos cálculos, estudos e ferramentas que as empresas possuem atualmente e que aplicavam quando a disputa era por CCEARs por disponibilidade.

O secretário de Planejamento e de Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, citou um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, como a referência para esse número. Em sua opinião, esse índice está em um patamar aceitável em função dessa alteração que será implantada a partir do leilão do final do mês. Porém, reconhece que esse efeito não será irrelevante para o mercado caso seja confirmado. Mas destacou as virtudes desse sistema a partir da adoção do preço horário, estimado para entrar em vigor em 2020, pois é necessário conhecer a curva de geração da fonte.

Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Energia Eólica, Renato Volponi, esse deverá ser um dos principais desafios do segmento a partir desse ano. Em sua opinião, empresas com sede fora do país deverão encontrar dificuldades para se adaptar a esta nova realidade que o ambiente de contratação regulada apresenta aos empreendedores. E ainda, que a entidade tem a preocupação sobre o entendimento dos agentes acerca dessas mudanças e que consigam calcular de forma assertiva os lances a serem ofertados no final do mês ante esse novo parâmetro de risco.

“Já vimos empreendedores mais desavisados no passado e nos preocupamos que tenhamos lances errados que possam colocar o sistema em risco”, afirmou ele durante o painel de desafios da fonte eólica no Brasil, realizado durante o Brazil Wind Power, no Rio de Janeiro. “O timing para essa mudança foi muito em cima para a realização de um estudo, precisaríamos de mais preparação, de qualquer forma será feito de forma mais corrida do que o desejado, mas não deixaremos de participar. Talvez nessa primeira operação o risco poderá ser superestimado pelos investidores”, indicou ele.