Aneel: gás pode complementar a variabilidade da eólica

Para Sandoval Feitosa, a fonte térmica a gás é menos poluente e pode representar uma possibilidade mais barata para a região Nordeste

Da Agência CanalEnergia 
29/05/2019

A variabilidade da fonte eólica no intraday foi tema de discussão na 10ª edição do Brazil Windpower. Apesar do Operador Nacional do Sistema Elétrico afirmar estar satisfeito com o desempenho da fonte que é a segunda maior do país, ainda há a necessidade de ter fontes à disposição quando a geração por ventos não está disponível.

No painel de abertura, o diretor da Aneel, Sandoval Feitosa, indicou como uma das possibilidades a complementação via geração térmica por usinas a gás natural. O executivo não entrou na discussão de como contratar essa fonte de geração e focou apenas no arranjo operativo dessa solução. Contudo, a aplicação dessa solução ainda é alvo de estudo.

A introdução dessas térmicas não seria considerada em termos de plantas híbridas e sim por meio da contratação de usinas isoladas mais focadas na região Nordeste. A questão do armazenamento de energia, alvo de uma reportagem especial da Agência CanalEnergia, não passaria por esta modalidade por duas razões: a primeira é que ainda não há regulação para o uso de baterias, e em segundo lugar, a aplicação desse dispositivo implicaria em uma planta híbrida, que também não possui regras no setor elétrico nacional.

“Acredito que a variabilidade da eólica pode ser melhor tratada com a complementação da geração térmica a gás natural”, definiu Feitosa. “Naquele momento de variabilidade da eólica é importante que você possa estar com a térmica sincronizada para atender a demanda. O ONS saberia que teria essa possibilidade ante a característica com alta variabilidade”, explicou.

A busca por alternativas que permitam ao setor elétrico minimizar a variabilidade está no radar da ABEEólica. Segundo o presidente do conselho da entidade, Ricardo Volponi, o setor sabe que a variação intradiária ou mensal é grande, mas destacou que a previsibilidade no ano é grande, maior que a da fonte hídrica. Por isso, comentou ele, há discussões sobre o futuro da eólica em paralelo às fontes complementares ao regime de ventos do país. Isso, acrescentou, permite maior flexibilidade das usinas e maior proposição de contratos e comercialização de energia.