Alto Sertão 3 entrará em operação com seis meses de atraso, prevê Renova

Problemas de crédito frustraram o planejamento da companhia de terminar a obra ainda em 2016

Wagner Freire Operação e Manutenção
25/11/2016

O complexo eólico Alto Sertão 3, na Bahia, deverá ficar pronto apenas em março de 2017, frustrando o planejamento da Renova Energia que esperava concluir a obra ainda em 2016. A operação comercial desse empreendimento é estratégica para a companhia, que aguarda o desembolso de R$ 640 milhões do BNDES para recuperar o equilíbrio econômico e financeiro.

Em entrevista exclusiva realizada nesta sexta-feira, 25 de novembro, em seu escritório em São Paulo, o presidente da companhia, Carlos Figueiredo, disse que a obra está 90% concluída, contudo dificuldades financeiras comprometeram a execução do cronograma programado. "Uma das razões [do atraso] é a dificuldade na obtenção de crédito. A gente não teve ainda o financiamento de longo prazo liberado pelo BNDES. Isso não é só uma dificuldade da Renova, algumas empresas que dependem do banco de fomento também estão atravessando essa situação. Mas nós estamos muito ativos e muitos próximos do BNDES para que isso aconteça", disse o executivo.

O complexo eólico Alto Sertão III é construído no município de Caetité e terá aproximadamente 400 MW de capacidade. A usina comercializou energia no leilão A-5 de 2013 e precisava estar em operação desde setembro deste ano. Quando concluído, a Renova estabelecerá a marca de 1 GW de capacidade de geração de energia renovável em operação comercial no país. Figueiredo explicou que a empresa tem utilizado empréstimos pontes para investir no complexo. A liberação do empréstimo do BNDES permitirá a empresa equalizar seu fluxo de caixa e alongar uma dívida de R$ 1 bilhão que vence nos próximos 12 meses. O endividamento da companhia fechou o terceiro trimestre em R$ 2,8 bilhões.

Esse atraso na entrada de operação do parque traz reflexos negativos ao projeto. "Quando você faz o project finance contamos com a receita entrando a partir daquele mês que seria setembro de 2016. A partir do momento que ele não entra [em operação], essa frustração de receita impacta no projeto", reconhece o executivo. "Como são contratos de 20 anos, isso acaba que dilui bastante, então não é um impacto representativo no projeto como um todo", completa. Atualmente a Renova opera 190 MW em PCHS e o Alto Sertão 2 (BA-386,10 MW). Há outros 800 MW em empreendimentos contratados cujas obras não foram iniciadas.