AES Tietê vê potencial de negócios com armazenamento de energia

Empresa inaugurou oficialmente seu projeto de P&D com o uso de storage na usina de Bariri e entender o comportamento que o dispositivo pode trazer em termos de estabilidade do sistema

Da Agência CanalEnergia 
24/08/2018

A AES Tietê inaugurou oficialmente na última quinta-feira, 23 de agosto, o sistema de armazenamento de energia em baterias instalado na UHE Bariri (SP, 143 MW). Esse projeto está enquadrado no P&D da Aneel com orçamento de R$ 5 milhões. Em cerca de seis meses a empresa deverá apresentar os relatórios sobre os benefícios da inserção desse armazenamento quanto a estabilidade ao sistema onde está localizado e já de olho na futura regulação que a agência reguladora trará para potencializar novos negócios em clientes.

De acordo com o presidente da empresa, Ítalo Freitas, o projeto na usina tem como objetivo estudar os efeitos que a bateria proporciona no sistema. Naquela região, há 330 quilômetros de São Paulo, há uma grande concentração de usinas de açúcar e álcool que injetam indução no sistema e baixam muito a frequência daquela área. O executivo explicou que a bateria pode ajudar na estabilidade dessa frequência, atribuindo maior qualidade à energia localmente. “Já temos alguns resultados saindo quanto à estabilidade do sistema na região na hora de pico. Mas o problema é que ainda não há regulação, precisamos de um marco regulatório que inclua os serviços ancilares e, consequentemente, a remuneração por esses serviços”, comentou ele.

Um uso poderia ser em sistemas onde há a presença massiva de usinas a diesel. Com as baterias seria possível atender ao pico de demanda e com isso ter o ganho tanto financeiro quanto ambiental, pois há capacidade de tirar essas usinas mais poluidoras. Ele explica que a bateria já demonstrou que e possível de ser descarregada no horário de ponta e que isso reduz o custo sistêmico.

A aplicação dessas baterias, destacou Freitas, poderia ajudar ainda a economizar em investimentos de expansão da rede. No caso para distribuidoras, auxiliar no atendimento e gerenciamento da carga de uma região com o auxílio de inteligência artificial. Para consumidores finais, o uso dessa inteligência fornece auxílio para alcançar economia com o consumo de energia de acordo com a orientação desse cliente.

Ele reconhece que ainda é necessário um maior aprofundamento dos benefícios, mas que esses estudos já mostram sua viabilidade. Mas a questão regulatória é ainda a questão que trava negócios com o dispositivo. A empresa vê a perspectiva de atribuir mais qualidade à energia e assim ganhar mercado com serviços.

No caso da bateria do P&D o contêiner e hardware são de fora, as baterias são coreanas. O transformador, inversor e montagem, são nacionalizados. A joint venture da empresa com a Siemens, chamada de Fluence, é a responsável pela produção do sistema enquanto a parte da AES Tietê é com os serviços prestados ao cliente, seja ele o sistema ou particular. Depois de encerrado o P&D a empresa poderá levar a bateria para o centro de operações, localizado a poucos quilômetros dali, para dar continuidade a um outro projeto.

Expansão O executivo da AES Tietê comentou que o projeto de Guaimbê já está pronto. É preciso o acerto de alguns detalhes junto ao ex-proprietário do projeto, a Cobra para que até setembro possam conectar ao SIN os 150 MW desse empreendimento. Em Boa Hora, de 75 MW, a obra está com cerca de 20% de conclusão. As estacas estão praticamente todas colocadas e chegaram os painéis solares.

Ali ao lado, no projeto AGV, viabilizado no leilão de 2017, disse ele, o epecista contratado é o mesmo de Boa Hora. Já os painéis e os inversores foram comprados na China até pelo fato de que a AES Corporation tem um pacote grande e proporciona bons preços para a aquisição. Além disso, a empresa, que não participará do A-6 da próxima semana afirma continuar analisando projetos eólicos brownfield para comprar. Freitas não revelou se ainda este ano a companhia apresentará novos negócios mas que estão avaliando ativos por meio da fonte eólica.

A meta da empresa é de ter metade do seu resultado ebitda originado de fontes renováveis em contratos de longo prazo ainda continua em curso, está em cerca de 30%. Já a obrigação à época do leilão de privatização que era a de aumentar a capacidade instalada está a 81 MW de ser alcançada.

* o repórter viajou a convite da AES Tietê