AES Tietê avalia projetos operacionais no mercado regulado para mitigar sua exposição

Empresa vê disponibilidade de ativos à venda no mercado bem como fôlego financeiro para novas aquisições

Mauricio Godoi Investimentos e Finanças
08/05/2017

A AES Tietê Energia aponta que ainda está em busca de novos ativos de geração seja solar ou eólica com contratos no mercado regulado para aquisições. Esse movimento vem no sentido de atender ao objetivo de chegar a 2020 com 50% de seu resultado ebitda (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) originados de fontes não hídricas. Além disso, a companhia está com o projeto de 150 MW de capacidade em geração solar na região da UHE Água Vermelha, no estado de São Paulo, e projetos de armazenamento e serviços para o setor elétrico como forma de diversificar a receita.

Segundo o diretor presidente da companhia, Ítalo Freitas, a empresa quer mitigar os efeitos potenciais do déficit hídrico sobre a companhia, já que atualmente 100% da energia é gerada por esta fonte. “Permanecemos com a estratégia de crescimento e expansão da nossa capacidade instalada por fonte não hidráulica, seja solar, eólica, com armazenamento e serviços como a eficiência energética”, comentou ele em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados da geradora no primeiro trimestre de 2017. No médio prazo, acrescentou o executivo, a geração distribuída também em colocada como uma nova opção para o desenvolvimento de novos negócios.

E, segundo a avaliação da empresa, há espaço para novas aquisições tanto pelo lado de disponibilidade de ativos no mercado como de fôlego financeiro da companhia. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da geradora, Francisco Morandi, lembra que o indicador de endividamento da geradora em relação aos limites de alavancagem é de 3,5 vezes. E ainda, que a análise da oportunidade dependerá do tamanho da operação, inclusive com a possibilidade de captação por meio de emissão de ações, apesar desta opção ainda não estar sendo considerada nesse momento. “Nosso objetivo é de que os ativos já estejam em operação para que no dia 1 do investimento já tenhamos geração de ebitda”, acrescentou. Morandi ainda comentou que a empresa acumula uma provisão financeira de R$ 345 milhões para a questão do GSF que está protegido sob uma liminar da Justiça em relação ao mercado de curto prazo.

O presidente do Grupo AES no Brasil, Julian Nebreda, disse apenas que a companhia tem interesse em resolver esse assunto, participando das negociações junto a Aneel e CCEE. Inclusive, citou que a medida do ressarcimento da geração fora da ordem de mérito recém aprovada pela Aneel é um ponto interessante para a companhia, mas que não poderia comentar quanto a AES Tietê Energia teria como potencial de ressarcimento.

Para evitar mais elevação do principal desse volume, a empresa adotou uma nova estratégia para mitigar os impactos do déficit hídrico. A meta é chegar ao final do ano com 83% da energia descontratada para evitar novos custos adicionais que esse risco pode impactar companhia. Para alcançar esse patamar a empresa fechou acordos de descontratação com a distribuidora do grupo, a AES Eletropaulo e outras concessionárias.

De acordo com o balanço da companhia, ao final de março, de uma garantia física de 1.275 MW médios, a empresa está com 219 MW médios livres. E a partir de 2018, com a redução publicada pelo Ministério de Minas e Energia na ultima quinta-feira, 4, a garantia física da geradora passará a ser de 1.198 MW médios. O patamar de preços, segundo Nebreda deverá se manter na faixa mais elevada que segundo as projeções da companhia é de R$ 170/MWh por conta do regime hidrológico desfavorável para contratos em 2018 e 2019.