Abel Holtz, consultor: O Filme

O Fotograma mostrou estaticamente o momento e depois, o Filme poderá ter diferentes enredos e conotações, mas, ao fim, está a Sociedade.

Abel Holtz Artigos e Entrevistas
17/02/2017

O Fotograma que estabeleceu anteriormente a visão do momento que estamos a confrontar tem seguimento de distintas formas, enredos e consequências com os mesmos atores que se revezam em defesa deste ou aquele partido em função dos seus interesses de curto e médio prazo. Poderemos ter um Filme de terror até um sentimental passando pela comédia e pelo drama com consequências distintas, mas, abatendo seu custo para a Sociedade em qualquer dos casos.

Um filme de terror implicaria no real retorno de crescimento da economia sem que seja modificado o quadro de confiança para investimentos estrangeiros, ampliação da demanda em curto prazo pelo “aquecimento” do consumo com a diminuição das sobras; diminuição da disponibilidade da cota parte da energia do Paraguai em Itaipu para o nosso sistema elétrico; a redefinição das “placas” das usinas hidroelétricas antigas, levando a uma real dimensão da energia que podem produzir estes empreendimentos com exigências de investimentos para dragagem dos sedimentos em seus reservatórios, além da imposição de modernização de maquinas e equipamentos ambos com impactos nas receitas dos contratos de venda firmados; ventos não tão generosos que impliquem em diminuição da produção dos parques eólicos; aumento do custo de operação das termelétricas a gás natural por acirramento da demanda do combustível e retorno da operação das térmicas que causam a “bandeira vermelha”; continuidade dos atrasos na implantação das linhas de transmissão; o impacto da geração distribuída, redefinindo modelos de negócio, de tarifação e de estratégia de geradores a consumidores, passando por distribuidoras e comercializadoras; e, ainda que não seja tudo, permanência dos atrasos na emissão das Licenças Previa para novos empreendimentos, e o terror se estrutura e se expõe.

No outro extremo estaria uma um filme sentimental onde as sobras de energia permaneceriam até 2023; que as Licenças Prévias dos novos empreendimentos fossem emitidas após a estruturação dos respectivos processos; que o gás natural esteja disponível a preços competitivos e que haja agua em abundancia para arrefecimento para as térmicas; que os ventos sejam abundantes e constantes onde os parques eólicos estão implantados e que haja novos leilões para assegurar a permanência dos fabricantes; que o desenvolvimento da energia fotovoltaica se amplie e se estabeleça a geração distribuída em plenitude; que as térmicas a diesel e outros combustíveis permaneçam em “stand-by”; que as linhas de transmissão em implantação recuperem os atrasos e que as licenças para as novas sejam emitidas; tudo isso num ambiente politico e econômico de tal convergência que os investidores venham disputar passo a passo a implantação dos novos empreendimentos.

Uma comédia seria a continuidade do “status quo” atual tendo em vista que o governo está focado em se manter à tona num barco que está em meio a uma tempestade, fazendo água e com uma tripulação com escorbuto, como no passado dos desbravadores e navegadores de séculos atrás, e com pouca confiança dos investidores quanto à segurança jurídica e financeira. Este enredo poderia mesmo ser o aquele de um drama, se visto pelo lado da Sociedade, que ao fim irá sofrer as consequência e pagar pelos desmandos.

Mesmo assim, o nosso setor elétrico ainda consegue ser citado como um exemplo pelo que foi feito no passado e pela forma que ainda está conseguindo ser operado.

As térmicas sempre foram vistas como complementares à operação das hidroelétricas e hoje precisamos rever esta visão. Mesmo para aquelas a carvão e nucleares que devem operar na base hora permitindo acumular agua nos reservatórios, hora atendendo os horários de pico pela sua flexibilidade de despacho.

As nossas eólicas já provaram sua eficiência e sabemos o quanto podemos contar em face da sua intermitência não só para o atendimento as regiões imediatamente próximas onde estão instaladas como complementares a geração das pequenas e medias hidroelétricas ou parque fotovoltaicos.

Agora não poderemos jamais desperdiçar o potencial imenso que ainda temos em nosso território para a implantação de novas hidroelétricas, mesmo aquelas que estão distantes dos centros de carga porque além de renováveis a energia que produzem por décadas é barata ou que se localizam em nossa fronteiras, algumas muito próximas aos grandes centros de carga, ou mesmo em territórios de Países vizinhos que se dispõem a tanto e, neste caso, com acordo institucionais bem feitos e firmes ao longo do seu tempo e que sejam economicamente viáveis.

Por fim, o futuro tecnológico que não respeita interesses políticos ou empresariais e vai acontecendo gradativamente sem que percebamos, desafiando concepções míopes de competição que ainda prevalecem.

Abel Holtz é engenheiro e empresário estuda e desenvolve trabalhos na área de concessões particularmente no setor elétrico.