Raízen assume o controle da WX Energy de olho no mercado de energia incentivada

Empresa pretende ampliar portfólio de geração de energia renovável e está preparada para futuros leilões

Da Agência CanalEnergia 
08/05/2018

A produtora de biocombustível e bioenergia Raízen anunciou nesta terça-feira, 5 de maio, a aquisição de 70% da comercializadora WX Energy, que em 2017 comercializou 4,4 TWh e faturou mais de R$ 1 bilhão. O valor da operação não foi revelado e o negócio é tratado como uma parceria entre as duas empresas. Segundo Marcelo Couto, diretor de Bioenergia, Fusão e Aquisições da Raízen, a parceria com a WX Energy fortalece a posição da companhia no mercado livre de energia, em linha com a estratégia de ampliação de negócios no setor elétrico. “Somos o maior gerador de energia a biomassa e a nossa estratégia é cada vez mais ampliar nossos negócios relacionados à energia, não só em geração, como também na comercialização de energia”, disse o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia. “Sabemos que o consumo de energia é crescente, que a eletrificação é uma tendência inquestionável, como também é inquestionável o potencial de crescimento do mercado livre no Brasil.”   “É inquestionável o potencial de crescimento do mercado livre no Brasil”, Marcelo Couto, da Raízen A Raízen opera 1 GW de potência instalada em usinas movidas a biomassa de cana-de-açúcar. Um terço dessa geração é utilizado para consumo próprio. Porém, das 26 usinas produtoras de etanol e açúcar da companhia, 13 são exportadores de energia para a rede. A maior parte desse excedente está vendida para as distribuidoras de energia, porém uma parte menor é comercializada no mercado livre.

Para ganhar market share na comercialização de energia, a Raízen pretende usar sua posição de mercado, com mais de 2 mil clientes em carteira, sua força comercial e capacidade financeira de investimento (a receita líquida da empresa com energia somou R$ 5 bilhões nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2018, encerrados em dezembro, com lucro líquido de R$ 372 milhões, segundo balanços recentes. No mesmo período, o grupo faturou R$ 63,4 bilhões e lucrou R$ 1,6 bilhão).

Já a WX Energy, fundada em 2014 pelos sócios Daniel Sica e Luiz Henrique Macêdo, traz um time treinado, uma mesa de trading em operação, a expertise na precificação de energia e na modelagem de contratos. “A WX Energy vem investindo na formação de uma equipe de primeira linha, altamente especializada. Construímos um forte background no trading de energia, aumentamos a liquidez da empresa e operamos mais de 4,4 TWh no ano de 2017”, destacou Sica. “Apostamos no crescimento do mercado livre. O momento demanda a ampliação da capacidade de fazer negócios. Vamos desenhar produtos aliando solidez financeira à expertise técnica”, complementou Macêdo.

Juntas, as duas companhias consolidam um modelo que permitirá a criação de soluções integradas e customizadas para os diferentes perfis de clientes no setor, acelerando a curva de crescimento e contribuindo para a competitividade do mercado livre. Couto explicou que o negócio é tratado como uma join venture porque ambas as empresas possuem características distintas e complementares e porque a operação da WX Energy continuará sob a liderança dos executivos Daniel Sica e Luiz Macêdo.

Couto disse que a Raízen pretende seguir investindo na ampliação do seu parque de geração, por meio da biomassa,do biogás e da energia solar. A empresa participou dos dois últimos leilões de geração promovidos pelo Governo Federal, mas não obteve sucesso. “Estamos com projetos aguardando os próximos leilões e estamos avaliando outras fontes de energia, principalmente a solar”, disse o executivo.

Na comercialização, junto com a WX Energy, a Raízen pretende explorar o mercado de energia incentivada e trazer seus clientes do setor de combustível para dentro da comercializadora de energia. Em 2017, a Raízen comercializou 2,4 TWh de energia produzida por suas usinas movidas a biomassa.