Institutos Federais apostam na energia solar para reduzir custos

Até o final do ano serão instaladas 82 usinas fotovoltaicas em 15 instituições espalhadas pelo Brasil; investimento está estimado em R$ 39 milhões

Wagner Freire Investimentos e Finanças
15/02/2017

Foi em meio à crise do setor público, com Estados e municípios precisando cortar custos administrativos, que o reitor do Instituto Federal Sul de Minas, Marcelo Bregagnoli, identificou uma oportunidade de introduzir a temática da sustentabilidade aos alunos da instituição e de quebra reduzir os custos administrativos dos campi.

Em 2016, o reitor apresentou o projeto IF Solar ao Conselho Nacional das instituições da Rede Federal (Conif) e à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec/MEC). Num primeiro momento, conseguiu a aprovação para dez usinas, custeadas pelo Ministério da Educação. Foi a partir daí que se viabilizou em setembro a maior aquisição pública de usinas solares por meio do Regime Diferenciado de Compras (RDC) e pelo Regime da Contratação Integrada, o que permitiu a adesão de outras instituições, com a contratação dos projetos e a execução das obras num mesmo processo.   Ao final da licitação, foram contratadas um total de 82 microusinas fotovoltaicas, que serão instaladas em 15 instituições espalhadas pelo Brasil. O investimento está estimado em R$ 39 milhões e será coberto com a economia de eletricidade proporcionada pelos sistemas. As usinas proporcionarão uma economia de aproximadamente R$ 615 mil mensais, ou seja, R$ 7,38 milhões por ano.   No total, serão instalados mais de 20 mil painéis solares, totalizando 5,4 MW pico de capacidade instalada, o que daria para atender uma cidade com mais de 16.000 habitantes, ou seja, será capaz de gerar energia solar para 2.600 casas. Cada sistema proposto gerará em média 104,88 MWh por ano. Desse modo, cada usina instalada evitará a emissão de 30.608 quilogramas de dióxido de carbono (CO2) ao ano no meio ambiente.

A reportagem da Agência CanalEnergia conversou com Bregagnoli por telefone. "Há algum tempo que estamos trabalhando a temática da sustentabilidade dentro do IFSULDEMINAS. Começamos a fazer os estudos e percebemos que montando as usinas fotovoltaicas teríamos a questão da sustentabilidade atendida aliado ao aspecto educacional e a economia de recursos ao longo dos anos. Vendo que vamos passar por uma crise no setor público com redução de recursos, as usinas diminuem o nosso custeio", explicou o reitor. Como a contratação foi feita via RDC, há a expectativa de que mais usinas sejam contratadas à medida que outras instituições estão aderindo ao programa.

O IFSULDEMINAS terá oito usinas. "Já instalamos quatro usinas, sendo que três estão conectadas a rede da Cemig. Pontualmente já identificamos uma economia de R$ 6 mil mensais. Esperamos recuperar o investimento em 6 anos, gerando uma energia limpa, sem impacto ao meio ambiente", completou Bregagnoli.

Cursos de capacitação em energia fotovoltaica estão sendo estruturados pelo instituto. O objetivo é que os próprios alunos realizem a manutenção dos sistemas. “Essas usinas serão laboratórios para nossos discentes, visando potencializar a utilização de fontes renováveis para a geração de energia. Através desta ação inédita e pioneira, a rede Federal efetiva a maior compra de usinas solares no serviço público federal."   Vencedores - Três empresas venceram a licitação. A Alba Tecnologia irá construir seis usinas e a MTEC outras sete. A Silveira Engenharia e Construções levou 69 sistemas, de 70 kWp cada, investimento estimado de R$ 32 milhões, sendo que cada sistema custará cerca de R$ 467 mil, disse o sócio-diretor da empresa, José Lino da Silveira. "Nossa empresa participou e foi contemplada com 69 sistemas."

Segundo Silveira, já foram implantadas usinas em Passo de Minas, Pouso Alegre, Poço de Caldas e Muzambinho, em Minas Gerais. Na Bahia, a empresa concluiu a instalação de sistemas fotovoltaicos nos municípios de Guanambi e Uruçuca. Há 29 usinas previstas para São Paulo. "Ao longo desse ano a gente espera concluir esse 5 MW, mas vai depender a disponibilidade de recurso dos institutos", disse o diretor. A empresa tem utilizado módulos importados da China.   Todas as usinas vão operar no sistema de troca de energia, conforme regulação vigente. O que não é consumido pela unidade é injetado na rede da concessionária local, gerando um crédito para a unidade geradora usar em outros momentos em que a geração for baixa.