Granularidade do preço não será obstáculo no Brasil, avalia PSR

Outros países já passaram por esse processo, motivado pela inserção de renováveis

Da Agência CanalEnergia 
02/08/2017

Dentro das propostas da Consulta Pública para alterar o atual modelo do setor elétrico, a adoção da granularidade nos preços de energia não deverá ser um problema no Brasil. De acordo com Mario Veiga, presidente da PSR, a inserção de renováveis e a maior complexidade operativa fazem com que a operação horária, com representação individualizada, seja importante. “Não há dificuldade metodológica ou computacional. É normal fazer essa operação, com representação da rede de transmissão”, explica Veiga, que participou do Workshop PSR/CanalEnergia “Reforma do Setor Elétrico: entendendo a CP 33 e seus impactos no setor elétrico”, realizado nesta quarta-feira, 2 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ).

Ter o preço exato a cada hora e localização faria com que ele ficasse mais aderente à realidade e permitiria a identificação das reais necessidades do sistema. Para proteger-se dos riscos resultantes, pode-se criar instrumentos financeiros, como bolsas e contratos que ajudem a gerenciá-los. “Tenho uma companhia de seguros e se ela estiver com as estatísticas corretas de quantos carros batem, ela pode fazer o seguro. Se ela não tiver a estatística, não tem como fazer”, compara. Para Veiga, a oscilação do preço da energia era artificial por limitações dos modelos e do método. A partir do momento que há o alinhamento, que a variação fica natural e compreensível, a viabilização dos contratos acontece.

Ainda segundo Veiga, esse movimento de precificação já vem sendo feito por vários países no mundo, inclusive na América Latina. A inserção das renováveis deu impulso a ele e fez com que o Brasil deixasse de dialogar apenas com países com matriz energética similar a sua, como Canadá e Noruega. Hoje Vietnã, Malásia, Costa Rica também têm eólicas e outras renováveis e enfrentam os mesmos desafios. “Todos os países também têm problemas, como os da transmissão. Conversar é bom, faz aprender com os outros e se percebe que nem tudo é diferente do Brasil”, observa.