GE está otimista com o avanço de sua turbina a gás para operar na base

Atualização tem as primeiras unidades em operação desde meados de 2017 e empresa já disputa outros 48 processos de concorrência para fornecer o equipamento

Da Agência CanalEnergia 
18/05/2018

A GE iniciou a instalação das primeiras unidades da nova geração de turbinas a gás da série 9EMax que é a 9ª geração de seu produto para ser utilizado em geração de base e que foi lançada em 2016. A nova atualização do produto, que teve sua primeira unidade desenvolvida no final da década de 70, começou a ser pensada em 2012 e iniciou as entregas em meados do ano passado, são três unidades na japonesa Tepco e há mais seis para entrarem em operação nos próximos meses. A empresa aponta ainda que participa de mais 48 processos de concorrência com a turbina, mas não revela onde estão essas disputas.

A nova unidade, explicou o gerente de produto para a linha 9EMax, Robert Colwell, chegou ao mercado com a possibilidade de entregar cerca de 145 MW de capacidade instalada em ciclo aberto e 37% de eficiência. Esses números refletem um aumento de 13 MW e de 2,5 pontos porcentuais quando comparados à última versão da turbina, lançada no início da década. Outra característica apontada pela empresa é o fato de que a nova unidade pode operar durante quatro anos sem a necessidade de ser aberta para manutenção mesmo com uma operação 24 por 7, ou seja, todos os dias da semana o dia todo.

A unidade, comentou ele, pode ser utilizada também no ciclo combinado. Segundo dados apresentados pela própria empresa, nessa forma de geração, a nova unidade pode entregar algo como 210 MW de geração e uma taxa de eficiência pouco acima de 53,5%, contra 180 MW e cerca de 50% de eficiência de sua antecessora no mesmo ciclo.

Atualmente, essa série de turbinas possui uma base instalada de 660 unidades em todo o mundo. As aplicações estão divididas entre ciclo simples com 49% desse total, 42% em ciclo combinado e 9% em cogeração. A maior parte dos equipamentos estão no Oriente Médio e na África com 311 unidades e um idade média de 10 anos. De todas as seis áreas geográficas em que a empresa divide o globo, na América Latina está o menor número de unidades com apenas 24 turbinas e em idade media de 16 anos, a mesma idade dos equipamentos na Europa e China.

“Houve aprimoramento em materiais, temperatura de combustão para que fosse possível aumentar os indicadores da unidade”, disse ele. “Podemos trabalhar em intervalos de paradas programadas de 32 mil horas ou o equivalente a quatro anos, isso reduz o número de paradas de quatro para três em um período de 12 anos de operação em usinas de ciclo simples”, apontou ele.

No pacote de serviços, comentou ele, há a possibilidade de atualizar o modelo do 9E.3 para a nova unidade por meio de atualizações das flanges no rotor da unidade por serem modelos similares. Esses serviços são realizados em todos os centros de serviços da GE. No geral, diz ele, a nova unidade garante maior disponibilidade das máquinas ao serem atualizadas. E ainda, há a possibilidade de economia de combustível ao não se operar a turbina em plena capacidade nominal de geração, uma operação com base de carga parcial pode alcançar uma maior eficiência para aquele volume de energia gerada. “Com isso você pode gerenciar a degradação do equipamento, a geração em dias mais quentes e ainda na economia com combustíveis”, comentou.

Cálculos apresentados pela GE apontam que essa atualização pode gerar uma receita adicional de cerca de US$ 6 milhões, outros US$ 5 milhões, estima a empresa, podem ser economizados com menor uso de combustíveis. Esses números foram obtidos com base em uma operação de 8 mil horas da turbina em um ano com o custo de US$ 50/MWh e gás ao custo de US$ 7 por milhão de BTU e a geração de 23 MW.

Por ser uma unidade que opera na base e não pode ser utilizada como backup em decorrência das variações diárias características das fontes renováveis como solar ou a eólica. Ele atribui a menor participação na América Latina com 24 unidades ao fato de que a região foi marcada, historicamente, por uma grande participação das renováveis que possuem preço competitivo quando comparado com o gás natural. Contudo, o avanço da intermitência diária pode ser uma oportunidade para aumentar essa base instalada de novas turbinas, mas mais adequadas ao uso combinado à variação diária.

*O repórter viajou a convite da GE