Financiamento em GD precisa de padronização para avançar

Febraban prepara estudo com Absolar e BID para encontra modelo ideal de crédito

Da Agência CanalEnergia Pedro Aurélio Teixeira
07/07/2017

Considerado um dos maiores entraves para o fomento da geração distribuída o país, o financiamento ainda precisa vencer obstáculos para ser acessível a todos os consumidores, como já é feito com o setor automotivo e de habitação. Para Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos, há desconhecimento sobre a GD, falta de qualidade nos projetos e de um padrão para a avaliação dos projetos. “Cada projeto é apresentado de maneira diferente, não se consegue hoje avaliar como em outros setores, com regras de uso. É preciso um padrão mínimo para o projeto ser apresentado “, explica.

A Febraban, em conjunto com a Associação Brasileira de Energia Solar e Fotovoltaica e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, trabalha para encontrar o modelo ideal de financiamento para sistemas fotovoltaicos de geração distribuída. “O grande desafio é encontrar uma modelagem que torne viável o financiamento de GD renovável para o pequeno e o grande”, aponta. Para o diretor da Febraban, também falta uma certificação nos produtos nos equipamentos fotovoltaicos, o que também influenciaria na concessão de crédito.

Segundo Vasconcelos, todos os stakeholders devem aprimorar os seus processos. “Há desinformação generalizada. Não existe uma central com dados, o consumidor não sabe tudo, quem oferece soluções também não tem todas as informações e os bancos também não têm”, avisa. Para ele, há a disposição e a certeza do êxito do negócio, uma vez que ele gera riqueza, empregos e contribui com a metas de redução. “Nossa missão é organizar mais isso”, diz ele, que participou esta semana do Brasil Solar Power.

Concentradas nos bancos públicos, que vem conduzindo os financiamentos, as linhas precisam chegar no ambiente privado. Segundo Vasconcelos, os bancos particulares não têm acesso a fundos constitucionais e isenções em tributos como os públicos, o que acaba por afastá-los. “Tem que ter retorno econômico, mesmo os bancos públicos não podem contar sempre com isenções”, conclui. Atualmente, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Banco do Brasil e BNDES oferecem linhas de crédito. O FNE Sol, do BNB, que completou um ano, tem prazo de até 12 anos, com um ano de carência para micro e mini geração. Para empresas com receita operacional bruta menor que R$ 90 milhões, os encargos são de 7,26% ao ano e para empresas com receitas maiores que R$ 90 milhões, é de 8,62% ao ano, considerando bônus de adimplência  de 15%.