Fim do contrato com a Eletropaulo faz lucro da AES Tietê encolher em 51,5% em 2016

Preço médio do portfólio contratado da empresa (excluindo venda de energia no MRE e spot) foi de R$ 146,80/MWh em 2016 ante R$ 198,40/MWh em 2015

Wagner Freire Investimentos e Finanças
02/03/2017

A AES Tietê Energia reportou lucro líquido de R$ 83,1 milhões no quarto trimestre de 2016, resultado 68% menor ao obtido no mesmo período do ano anterior. Em 2016, a última linha do balanço da companhia totalizou R$ 358,5 milhões ante R$ 738,8 milhões em 2015, uma desaceleração de 51,5%. A queda brusca no desempenho financeiro da empresa é explicada pela redução de margem na energia comercializada em função, principalmente, do fim do contato de venda de energia com a AES Eletropaulo, braço de distribuição de energia do grupo AES. O preço médio do portfólio contratado da empresa (excluindo venda de energia no MRE e spot) foi de R$ 146,80/MWh em 2016 ante R$ 198,40/MWh em 2015.

De outubro a dezembro de 2016, a receita operacional líquida (ROL) totalizou R$ 363,7 milhões, montante 42,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2015. No ano, a ROL alcançou R$ 1,56 bilhão, queda de 40,5% em relação a 2015. "Esse desempenho reflete, principalmente, a redução do volume e do preço praticado na venda de energia por meio dos contratos nos mercados livre e regulado, principalmente devido o vencimento do contrato com a AES Eletropaulo, e o aumento das deduções", escreveu a empresa em comunicado ao mercado, divulgado na noite de sexta-feira, 24 de fevereiro.

A AES Tietê registrou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) de R$ 169,3 milhões no quarto trimestre de 2016 ante a um Ebitda de R$ 396,9 milhões em 2015. No ano, o Ebitda totalizou R$ 802,7 milhões, redução de 42,2% em relação ao verificado em 2015. A AES Tietê é uma geradora de energia elétrica com base em fontes hídricas. A empresa opera 12 usinas entre hidrelétricas e pequenas centrais (PCHs), totalizando 2.658 MW de capacidade instalada. A maior usina é Água Vermelha, com 1.396 MW de potência.

Em 2016, a empresa realinhou sua estratégia de crescimento, focando em fontes não hidráulicas para diversificar o portfólio. A meta é chegar em 2020 com 50% do seu Ebitda formado por fontes como eólica e solar. A empresa também está apostando em novas tecnologias, como geração distribuída e armazenamento de energia via baterias.  Em janeiro de 2017, a companhia acordou com a Renova Energia uma proposta para a aquisição do conjunto de parques eólicos que constituem o complexo Alto Sertão II, localizado no estado da Bahia, que possui capacidade instalada total de 386,1 MW e energia contratada por 20 anos. Quando concluído, o negócio resultará uma operação de R$ 650 milhões.

A companhia atualizou suas projeções referentes a previsão de investimentos para o período de 2017 a 2021. Para tal período, planeja investir aproximadamente R$ 400 milhões que serão direcionados, principalmente em seus programas de modernização e manutenção de suas plantas hidrelétricas.