Estudo da EPE aponta necessidade de leilões para sistemas isolados até 2023

Estatal consolidou informações atuais e projeções de mercado em 270 localidades que não fazem parte do SIN

Da Agência CanalEnergia 
09/01/2019

Até 2023, o governo terá que promover leilões públicos para garantir a necessidade de expansão da oferta de energia em sistemas isolados do país – que não integram a rede interligada administrada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A indicação consta de relatório produzido pela Empresa de Pesquisa Energética para o Ministério de Minas e Energia, que tem o objetivo de mapear e projetar a evolução de um mercado de mais de três milhões de pessoas atendidas por nove empresas de distribuição. Elas atuam na região Norte e nos estados do Mato Grosso e de Pernambuco.

O planejamento da EPE abrange o horizonte quinquenal, entre 2019 e 2023. Entre as informações apresentadas pelas distribuidoras atuantes nos sistemas isolados e incorporadas no estudo estão aspectos geográficos, projeção dos mercados, curvas de carga, ofertas contratadas e previsões de interconexão ao Sistema Interligado Nacional. Das 270 localidades isoladas existentes atualmente no país, há uma perspectiva, segundo as próprias concessionárias, de que 47 delas sejam interligadas até 2023. Elas correspondem hoje a 17% do universo elétrico fora do SIN.

O estudo do governo aponta que, até o final dos próximos cinco anos, haverá a necessidade de expansão para 67 sistemas isolados, totalizando uma oferta adicional de aproximadamente 115 MW. Esse complemento será feito com leilões públicos, que podem ou não renovar o atendimento por meio de usinas termelétricas movidas a óleo diesel – fonte que representa 97% da geração usada para atender as áreas isoladas no país. Além disso, as empresas CEA (AP) e Boa Vista Energia (RR) indicaram o desejo de substituir o parque gerador em 91 localidades nos seus estados, totalizando 5,6 MW.

O relatório também apresenta alternativas para substituição do parque termelétrico a diesel, cuja intensidade das emissões de gases e partículas poluentes é proporcionalmente mais de sete vezes superior às emissões verificadas no SIN. As soluções tecnológicas já estudadas pela EPE alcançam desde a utilização do potencial energético de resíduos florestais e industrializados do manejo sustentável madeira até o uso da energia solar em áreas do Amazonas. A instalação de sistemas híbridos com fotovoltaicas no Acre também foi contemplada como possibilidade frente ao diesel.

De acordo com a superintendente adjunta de Estudos Econômicos e Energéticos da EPE, Carla Achão, esta é a primeira vez que o relatório de planejamento quinquenal para os sistemas isolados é divulgado publicamente. “O trabalho tem a função não apenas de consolidar e validar as informações transmitidas pelas distribuidoras, mas, a partir daí, de subsidiar tecnicamente a realização de leilões de expansão para o suprimento dessas áreas”, explica. O ONS e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica fazem trabalho semelhante ao da EPE, porém com horizonte de apenas um ano à frente.