Energia deverá reduzir participação na Vulkan em 2017

Projeção de vendas é de passar de 25% para 15% do total sem a realização do leilão de dezembro do ano passado

Mauricio Godoi Negócios e Empresas
04/01/2017

O cancelamento do leilão de energia de reserva, em dezembro, significou o pior que poderia acontecer para a cadeia de fornecimento da indústria eólica. Na avaliação de Klaus Hepp, CEO da Vulkan no Brasil, esse movimento que classificou como de stop and go só traz incertezas para toda a cadeia de fornecimento, sendo que a situação é mais crítica para aquelas empresas que são totalmente dedicadas ao segmento de geração, o que não é o caso da empresa que comanda no Brasil.

“Essas empresas dependem da demanda dos fabricantes de aerogeradores e por isso não está nada fácil. Esse stop and go não deixa que as empresas aguentem esse ritmo por muito tempo”, destacou o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia. “Para a Vulkan essa é apenas uma parte de nossos negócios, o que nos deixa protegidos dessa variação. A diversidade de atuação atribui competitividade, pois não estamos parados por conta da falta de pedidos”, comentou ele.

De acordo com Hepp, a expectativa do setor no ano passado, pouco antes do anúncio do cancelamento do certame era de que houvesse uma demanda de 1 GW para eólica e outro volume de contratação igual para o segmento solar fotovoltaico. E no primeiro caso esse montante já não era algo significativo, uma vez que os seis fabricantes instalados por aqui deveriam ter que disputar as vendas de cerca de 400 máquinas que essa contratação geraria e isso, pensando apenas em projetos novos entrando no leilão no ano passado.

De acordo com o executivo alemão, a estimativa de capacidade anual que o Brasil tem em número de máquinas chega próxima a mil unidades ao ano. Com o aumento da capacidade de geração de cada aerogerador, hoje na casa entre 2 MW e 2,5 MW, é real a necessidade de que a demanda que num passado recente estava em 2 GW ao ano passe a ficar mais próxima de 3 GW anuais.

“Para manter o ritmo de crescimento dos últimos anos 3 GW não seria um exagero, mas sim o lógico por conta do aumento da capacidade das máquinas, e outra para se ter uma ideia, 1 GW é 10% do que temos atualmente no Brasil, o que em termos de crescimento não representa um grande indicador”, avaliou o executivo.

No caso da Vulkan, o CEO da empresa destaca que o negócio energia que normalmente fica entre 20% a 25% da receita, que no ano de 2016 está estimada em R$ 80 milhões, poderá recuar a 15% do total em 2017 se não houvesse o leilão, como realmente ocorreu. Isso porque a empresa atualmente apenas fornece equipamentos novos para o segmento de eólica, principalmente para GE (equipamentos que eram feitos pela Alstom) e Gamesa. A empresa vinha ao final do ano passado, conversando com a Weg para fazer parte do quadro de fornecedores da empresa brasileira.

A companhia, disse ele, complementa a participação do segmento de energia ao fornecer serviços e manutenção para térmicas e usinas hidrelétricas. As vendas para o segmento eólico estão em cerca de 10% do faturamento, ou seja, R$ 8 milhões. Atualmente, contou, a carteira de pedidos por freios da Vulkan para o segmento eólico é de dois anos, mas depende da confirmação dos pedidos das fabricantes de aerogeradores.

Apesar do recuo a empresa possui um plano de expansão internacional que visa compensar esse recuo interno. Há dois anos a companhia vem desenvolvendo um plano para ampliar sua presença em outros países da América Latina. O principal foco é o de atender a demanda industrial, um setor da economia no qual se especializou devido ao grande crescimento industrial brasileiro que rendeu o estabelecimento de um centro de pesquisa e desenvolvimento para esse segmento no país, divisão da Vulkan que atende justamente o setor de energia.

Os planos para 2017, contou Hepp, envolvem uma relativa estabilidade de faturamento ante 2016 justamente por esse avanço nas vendas ao exterior e redução da participação dos negócios no país por conta da dificuldade de recuperação econômica. Um cenário que pode mudar em 2018, quando se espera a retomada da economia nacional.