Concremat está de olho na expansão do setor elétrico para ampliar sua atuação

Empresa de consultoria em engenharia classifica segmento como estratégico e com perspectivas de atuação em novas frentes

Maurício Godoi Da Agência CanalEnergia
18/04/2018

De São Paulo

No início deste mês a Concremat, empresa de 66 anos de vida, completou os primeiros 12 meses como parte do grupo chinês de infraestrutura China Communications Construction Company (CCCC), que detém 80% de seu capital. Entre os diversos segmentos em que atua, o de energia é um dos que a companhia tem como estratégico para a manutenção de uma base sólida para seu crescimento, ainda mais agora, que prepara-se para novos passos de atuação.

A companhia possui uma área estruturada para atender o setor desde o início dos anos 2000, mas na prática essa experiência data ainda do início da década de 1990, quando realizou estudos para PCHs. Hoje, esse é apenas um dos nove mercados onde atua. Segundo o vice presidente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, Eduardo Viegas, que é da terceira geração da família que fundou a companhia, o planejamento estratégico é ambicioso e os próximos caminhos apontam para a atuação como EPCista em transmissão, na integração com outras áreas de atuação, e ainda, entrar até mesmo como investidor em projetos de geração solar.

“Já participamos como investidores no primeiro leilão de energia solar em 2013”, acrescentou o diretor da área na Concremat, Gontran Maluf.

Viegas ressaltou que uma nova investida nesse segmento faz parte dos interesses da empresa, até porque os chineses, que são os atuais sócios controladores, têm interesse nesse mercado por aqui também. “O segmento de EPC é uma possibilidade também porque temos o conhecimento técnico de projetos. Esse é um caminho que podemos vira atuar dentro de alguns anos. Estamos animados, o pior da crise passou e o setor de energia é um dos quais acreditamos”, afirmou ele.

Esse otimismo da empresa que atua em avaliações técnico-econômicas em geração, transmissão e distribuição, bem como em estudos ambientais e consultoria de obras, vem na esteira da retomada dos projetos do setor elétrico. Atualmente, os contratos da empresa estão mais com o segmento de transmissão. Segundo cálculo da empresa 70% derivam desses projetos enquanto os 30% restantes estão basicamente em geração, com destaque para a fonte eólica. Além de outras atividades para distribuidoras.

“Essa é uma fotografia do momento em função dos bem sucedidos leilões de transmissão desde 2016. Mas essa relação já foi o contrário”, acrescentou Viegas. “Essa divisão vem de dois anos para cá”, indicou.

Um desses contratos foi o que levou o fundo norte-americano Texas Pacific Group (TPG) na aquisição das linhas operacionais da Abengoa concluída no final do ano passado. O estudo da companhia envolveu a avaliação técnico-econômica dos ativos, incluindo a solução técnica implantada e despesas operacionais dos sete sistemas da empresa espanhola que estavam em operação no Brasil, com identificação dos principais riscos técnicos na aquisição, pontos de atenção e recomendações de monitoramento e tratamento.

De acordo com o VP da Concremat, hoje energia responde por uma fatia que fica na faixa de 10% a 15% do faturamento da companhia que foi da ordem de R$ 600 milhões em 2017. Apesar do crescimento nas operações dessa área os planos da companhia não preveem o aumento expressivo de participação no faturamento por dois motivos: o primeiro é a busca pela manutenção de um portfólio equilibrado e diversificado da receita para mitigar riscos setoriais e o segundo é porque também registram crescimentos nas demais áreas. “Para ter uma ideia, nenhum mercado em que atuamos contribui com mais de 25%”, apontou ele.

No portfólio de contratos da empresa estão acordos com a co-irmã chinesa State Grid nos dois linhões de Belo Monte e com outras empresas nacionais. Aliás, o foco da Concremat deverá ficar cada vez mais com o setor privado, até porque o governo vem reduzindo sua participação em obras de infraestrutura. Diferentemente de quando a companhia nasceu. No segmento de energia especificamente, 10 anos atrás, relembrou Viegas, a atuação era praticamente toda voltada ao setor público, agora com a provável privatização da Eletrobras a tendência é de contratos serem 100% com setor privado, seja de capital nacional ou internacional.

Outro viés que considera interessante é a atuação horizontal dos segmentos onde atuam, por exemplo,  nas instalações de portos ou outros ativos, resultado da multidisciplinaridade da controladora, a CCCC.