Celesc planeja reduzir dependência da distribuição até 2030

Empresa trabalha para chegar ao final desse período com metade da receita originada de outros negócios, como Telecom e comercialização

Mauricio Godoi Negócios e Empresas
27/04/2017

A Celesc está com um plano estratégico para, até 2030, reduzir a sua dependência do segmento de distribuição. Hoje, 97% da receita da empresa está concentrado nesse segmento e esse trabalho visa chegar ao final do período com 50% do faturamento do grupo tendo origem em outros negócios. Entre eles estão as telecomunicações e a comercialização de energia, bem como o avanço em transmissão e alcançar 1 GW em capacidade instalada no segmento de geração.

Segundo o presidente executivo da empresa, Cleverson Siewert, esse movimento da estatal catarinense segue o que se tem no mercado nacional, onde outras companhias possuem uma divisão ‘meio a meio’ em sua fonte de receitas. “Esse é um desafio, uma diretriz que estamos procurando, pois esses outros negócios possuem margens maiores e trazem, naturalmente, uma gestão mais adequada de caixa”, comentou ele. “A comercialização de energia é um dos caminhos sim, geração e transmissão está consolidado como um negócio, agora temos que evoluir nesse sentido e outro é telecom, pois temos uma grande rede de fibra óptica no estado e temos potencial de explorar por meio de uma parceria em 2018”, relacionou o executivo.

O plano da Celesc para lançar sua comercializadora não é uma novidade, o próprio Siewert já vem falando sobre o tema, inclusive abordou essa perspectiva em reportagem especial da Agência CanalEnergia publicada no início de março. Segundo ele, esse processo está em andamento, há uma chamada pública que deverá terminar no final de abril, passar por uma avaliação interna e a ideia é a de começar a atividade também em 2018. Essa necessidade de entrar em comercialização, comentou ele, vem do fato de que cerca de um terço da carga da Celesc-D migrou para o ACL. Segundo dados da empresa, são R$ 1,5 bilhão em faturamento que mudaram de lado.  “Esse faturamento já foi nosso e hoje está em comercializadoras. Em janeiro de 2014 tínhamos 250 consumidores livres e hoje esse número é de 750”, indicou.

Outro pilar dessa estratégia é reforçar a presença em geração. Hoje a companhia possui 12 usinas que somadas as capacidades (próprias e de PCHS) chega a um portfolio com cerca de 130 MW. O plano da empresa é de alcançar cerca de 1 GW em 2030. Como isso significa um crescimento exponencial nos próximos 13 anos, Siewert sinaliza uma atuação mais expressiva da companhia na participação de leilões, associações a outras empresas e até mesmo aquisição de ativos como o movimento que levou a Celesc a ‘recomprar’ os 63 MW em usinas que operava até a MP 579 e que foram relicitadas no ano de 2015. Até final de 2020 a empresa tem o desafio de ampliar a sua capacidade instalada em 170 MW, sendo uma estrutura de capital estimada em 60% de dívida e 40% de capital próprio.

E não descarta também outras fontes como a solar por meio de sistemas de micro e mini geração distribuída. Ele classificou essa modalidade como uma oportunidade interessante para o futuro, inclusive com o lançamento do programa mil painéis solares no estado de Santa Catarina, cujo objetivo é o de entender a automação da rede com smart grids. “A nossa intenção é entender esse negócio do ponto de visa regulatório e do ponto de vista financeiro”, definiu. E citou ainda a necessidade de criar novas práticas para a manutenção dessas redes com o avanço da geração distribuída.