AES Tietê deve focar em aquisições, mas avalia participar dos leilões

Empresa geradora de São Paulo ainda não definiu se entrará na disputa de dezembro, mas vê oportunidade em solar

Maurício Godoi Da Agência CanalEnergia
07/11/2017

De São Paulo

A AES Tietê ainda não definiu se disputará os Leilões de Energia Nova A-4 e A-6 que estão agendados para os dias 18 e 20 de dezembro. Se o fizer, será com o projeto solar que está localizado em terreno próximo à UHE Água Vermelha, o mesmo que estava habilitado e que está previsto para ter 150 MW. Em paralelo, o caminho da empresa para atender a expansão de sua capacidade instalada no estado de São Paulo deve continuar por meio de aquisições.

A empresa alcançou 72% do compromisso obrigatória de expansão da capacidade instalada acertada quando da época de sua formação por meio da privatização de parte das usinas da antiga Cesp.

Em teleconferência com analistas e investidores referentes aos resultados da companhia no terceiro trimestre, a geradora afirmou que a preferência pela fonte solar em leilões deve-se ao fato da perspectiva de rápida implantação de uma  usina. Um exemplo é o Complexo Solar Boa Hora, que terá 91 MWp de capacidade instalada, com previsão de início das obras em dezembro deste ano e operação comercial planejada para novembro de 2018.

“Temos nos concentrado em M&A e avaliando participar no leilão com a solar, temos o projeto de Água Vermelha (…) e a solar porque é possível construir rapidamente. Essa é a visão estratégica da empresa, mas ainda estamos avaliando o leilão, mas temos interesse”, comentou o presidente do Grupo AES Brasil, Julian Nebreda.

A empresa ressaltou durante a apresentação que a meta é a de ter 50% de seu resultado ebitda (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) originados de fontes renováveis, o foco de atuação dessas aquisições da empresa. Contudo, a empresa ainda não apontou qual deverá ser esse nível de geração de caixa operacional daqui a três anos. Até porque os dois últimos anos foram diretamente impactados pelo GSF, um índice que ainda não é esperado para 2020.

Aliás, os executivos comentaram acerca da solução para o impasse que o trabalho de negociação para resolver a questão do risco hidrológico e do MRE está em um bom caminho. O diretor-presidente da companhia, Ítalo Freitas, comentou que tanto o lado do governo quanto a indústria estão abertas para chegar aos termos da solução.

Nebreda, concordou mas destacou que ainda na há uma visão definitiva quanto ao processo que está em construção. Para ele, é preciso alterar essas regras, pois o país vive um momento diferente de quando foi instituído o MRE. Atualmente, disse ele, o avanço das renováveis desloca a hídrica e por isso o risco deve ser reavaliado e até compartilhado.