Abel Holtz, consultor: Fotograma

Agora mesmo pretende-se rearrumar os compromissos de compra e venda entre geradores e distribuidores para administrar a sobreoferta

Abel Holtz Artigos e Entrevistas
15/02/2017

não há um só dia, nos últimos tempos, que, quando lemos noticias em jornais ou, vejamos os noticiários em TV, Internet e até nas redes sociais, não tomemos conhecimento de um fato desalentador ou desencontrado com a realidade que desejamos para nossa Sociedade e nossa realidade. Não é diferente para nenhum setor.

No caso do setor elétrico desenha-se um ambiente de uma aparente tranquilidade, dado a sobra de energia consequente à queda da demanda, quadro este que está embotando ações da equipe competente que foi formada, para assegurar em futuro próximo a continuidade do suprimento à demanda na quantidade e com qualidade.

A dita e constatável sobra em grande parte é teórica porque esta estabelecida considerando as contratações nos leilões de energia que foram realizados e que estabeleceram obrigações de compra e venda ao longo dos próximos anos, grosso modo até 2022 e às “placas” das usinas hidrelétricas mais antigas. Muitos especialistas afirmam após elaborados estudos, que temos que estabelecer novos leilões de energia para que os empreendimentos que venham a ser leiloados possam vir a ser construídos a tempo e a hora.

Para continuar a ter a segurança necessária e obtida até agora, novas linhas de transmissão terão que ser construídas para reforçar o sistema e aqueles projetos em atraso, que são muitos, possam ter solucionado os constrangimentos de toda natureza que impedem a continuidade de sua construção.

Cabe ainda considerar as adaptações necessárias ao operador do sistema para administrar com eficiência a nova realidade de sua constituição, diferentes fontes de energia com distintas performances, e demandas que se alternam dada a migração e a integração de geradores mesmo dentro das áreas das distribuidoras, como é o caso da geração distribuída, que por questões de custo e até mesmo eficiência, operam de forma desconectada com o conjunto, até porque seria impossível fazer de forma distinta.

Ainda assim, visualiza-se a oferta de energia de pequenas e médias hidrelétricas, espalhadas pelo território nacional, usinas térmicas a gás natural, liquefeito de preferência e situadas no litoral da nossa costa, e parques eólicos em diferentes regiões do Nordeste e do Sul do País, e usinas fotovoltaicas em dispersas localizações, já que as termossolares que estabeleceriam uma concentração, ainda não estão sendo visualizadas.

Agora mesmo pretende-se rearrumar os compromissos de compra e venda entre geradores e distribuidores para administrar a sobreoferta. O mecanismo previsto será através de um leilão em condições que brevemente serão estabelecidas no qual poderá haver um escambo de energia com alguns custos compensatórios.

Feito isto, cabe uma reflexão quanto a: Como vamos enfrentar os obstáculos para construção do potencial remanescente de nossas hidroelétricas, e as nucleares previstas construir, as térmicas a gás natural liquefeito, as novas eólicas e fotovoltaicas, a geração distribuída, as hidroelétricas binacionais ou em território de Países vizinhos interessados em vender a energia que produzirão, e como fica a permanência da cota-parte do nosso sócio em Itaipu.

São questões abrangentes que demandam tempo para serem equacionadas e decisões politicas e institucionais que no momento não estão sendo estruturadas em plenitude e em tempo de vir a atender a demanda que se instalará com a retomada da economia.

E o filme, poderá ser uma nova chanchada se não começarmos a dar espaço e autoridade a equipe preparada e competente que foi formada. Ou, caso contrário, um enorme sucesso digno da nossa competência.

Abel Holtz é engenheiro e empresário estuda e desenvolve trabalhos na área de concessões particularmente no setor elétrico.