ABB estuda produzir inversores solares em Sorocaba

Complexo industrial que ganhou uma nova linha de produção nesta quinta-feira poderia atender a expansão em um prazo de 6 a 12 meses

Da Agência CanalEnergia 
20/09/2018

A ABB começou a implantar seu complexo industrial em Sorocaba (cerca de 100 km de São Paulo) em 2013, resultado da aquisição da área ocupada anteriormente pela Flextronics. Desde então a companhia de origem suíça passou a investir em novas linhas de produção e nesta quinta-feira, 20 de setembro, inaugurou um novo prédio dedicado a produzir painéis para atender à media e baixa tensão. E ainda há espaço para mais, na área de 25 mil metros quadrados, a empresa pode alocar um novo prédio e entre as possibilidades para o futuro nesta localidade estão carregadores ultrarrápidos para veículos elétricos e a produção de inversores para o mercado solar fotovoltaico.

Segundo o presidente da ABB Brasil, Rafael Paniagua, esses dois segmentos estão no radar da companhia, mas a decisão ainda depende do crescimento do mercado no país. Ele explica que há espaço para aumentar a produção e aumentar o número de funcionários nos escritórios já existentes da companhia no local.

“Temos planos sim [de aumentar o número de linhas de produção], mas vai depender da evolução das novas tecnologias e dos mercados. Temos planos em áreas relevantes como a de inversores solares uma linha que a gente analisa e estamos estudando a possibilidade. A depender do volume podemos fazer localmente ante a atual importação que vem da Itália”, afirmou ele. “Outro caminho é a mobilidade elétrica com carregamento super rápido para veículos elétricos. Essa é uma indústria que temos segurança que vai decolar como em outros países e temos a tecnologia. São plataformas que poderíamos implantar e localizar sua produção entre 6 e 12 meses”, comentou ele.

Com a nova unidade, chamada de Prédio 3, que tem 7 mil metros quadrados e onde foram investidos cerca de R$ 20 milhões, o complexo, que responde por cerca de 10% a 15% da receita no Brasil, produz motores, geradores, sistemas de acionamento, eletrocentros e os painéis. As demais unidades industriais da companhia estão localizadas em Guarulhos (SP), Blumenau (SC) e Contagem (MG), além da sede que fica em São Paulo.

Paniagua afirma que a companhia vê oportunidades de crescimento no curto e médio prazos para os novos itens que passam a ser produzidos em Sorocaba. Segundo o executivo, são três as frentes de atuação para os painéis. A primeira é a questão do avanço da infraestrutura em geral, que está cada vez mais com inteligência embarcada, citando mobilidade elétrica, aeroportos e outros dispositivos. O segundo pilar é o da integração de energias renováveis e o terceiro é a indústria propriamente dita, usuária de equipamentos mais inteligentes para a busca de eficiência energética em geral.

Além disso, entre as oportunidades que se mostram para a ABB, a companhia indica que os investimentos nas distribuidoras é um mercado potencial bastante importante com a ampliação das redes e da tecnologia cada vez mais presente, tanto em concessionárias consolidadas no estado de São Paulo recém negociadas como as privatizadas pelo governo no Norte e no Nordeste, que vão precisar de investimentos pesados para a melhoria da qualidade de atendimento aos consumidores. No foco está ainda a perspectiva de que as concessionárias precisarão se preparar para a expansão dos prosumidores em sua rede.

Dentre esses mercados potenciais, o presidente da ABB afirma que a estimativa é de um crescimento sustentável de dois dígitos nos próximos anos e que a diversificação de mercados é um ponto importante para isso. Mas, em geral, os segmentos que deverão se destacar no Brasil são o de concessionárias de distribuição de energia e também a integração das renováveis.

A fábrica atende ainda ao mercado da América do Sul e Central com participação importante na exportação desses produtos. Para a ABB, o câmbio deixa a empresa em posição favorável para a posição de exportadora, principalmente aqui no cone sul onde há destaque para as indústrias de mineração e de óleo e gás, com destaque para mercados mais abertos como o Chile e o Peru.

*O repórter viajou a convite da ABB